O El Niño deve começar a mostrar seus efeitos de forma mais intensa no Rio Grande do Sul nos próximos dias. O alerta é da meteorologista Estael Sias, da MetSul Meteorologia, em análise publicada nesta terça-feira (14).
Segundo a especialista, a atmosfera entra em um novo padrão de circulação, que passará a refletir o aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico. Com isso, o estado deve registrar mais chuva, temporais frequentes e um inverno menos frio do que nas últimas semanas.
“O El Niño vai finalmente começar a mostrar a sua força no Rio Grande do Sul nos próximos dias com muita chuva e temporais frequentes”, afirmou Estael Sias, em análise divulgada pela MetSul Meteorologia.
A meteorologista explica que a segunda metade do outono e as primeiras semanas do inverno apresentaram um comportamento diferente do esperado para um ano de El Niño. Houve períodos prolongados de frio intenso e chuva abaixo da média em parte do estado, especialmente na região Sul.
Agora, porém, esse cenário deve mudar. A previsão é de uma ruptura no padrão atmosférico, com redução da frequência de massas de ar frio e aumento da instabilidade.
De acordo com a análise, o Rio Grande do Sul deve ingressar em um período de muitos dias consecutivos de instabilidade.
O novo padrão deve trazer chuva acima da média, temporais mais frequentes, alagamentos, cheias de rios, rajadas fortes de vento e queda de granizo em alguns episódios.
Segundo Estael Sias, os gaúchos terão uma amostra ainda no final desta semana e na próxima dos efeitos que o fenômeno poderá trazer de forma repetida nos próximos meses.
“Os gaúchos terão uma amostra do que o fenômeno trará reiteradamente nos próximos meses com excesso de chuva, alagamentos, cheias de rios e temporais que isoladamente podem ser fortes a severos de vento e granizo”, disse a meteorologista.
Super El Niño atinge marca histórica em julho
A análise também destaca que as condições no Oceano Pacífico já alcançaram patamar de Super El Niño de forma considerada excepcionalmente precoce.
Segundo o Índice Oceânico Niño (ONI), da NOAA, a anomalia na região Niño 3.4 chegou a +2,0°C, marca que caracteriza oficialmente um Super El Niño.
Pela primeira vez, o limiar de +2,0°C foi alcançado ainda em julho.
Comparação com eventos anteriores:
- 1997-1998 — setembro
- 1982-1983 — entre setembro e novembro
- 2015-2016 — entre setembro e novembro
- 2023 — entre setembro e novembro
- 2026 — julho
A antecipação é considerada inédita pela meteorologista.
Embora o índice relativo da NOAA (rONI) indique anomalia de +1,3°C, a agência mantém 81% de probabilidade de evolução para um Super El Niño.
Os modelos climáticos analisados pela MetSul projetam que o aquecimento do Pacífico pode continuar aumentando nos próximos meses, com anomalias entre +3°C e +4°C.
“A maioria dos modelos climáticos projeta intensificação adicional”, destaca a análise.
O que esperar no RS
Com a mudança do padrão atmosférico, a expectativa é de que o Rio Grande do Sul passe a registrar períodos prolongados de instabilidade já na segunda metade de julho.
Os principais impactos esperados são chuvas frequentes e volumosas, temporais com vento forte, queda de granizo, alagamentos urbanos, elevação de rios e menor frequência de ondas de frio intenso.
A meteorologista ressalta que o evento ainda está no começo, mas que os sinais observados no Pacífico e na atmosfera indicam uma mudança importante no comportamento do inverno gaúcho.






