Compartilhamos o tuíte do jornalista Cristiano Romero após o jornal The New York Times e a revista New Yorker, ambas estadunidenses, apontarem Messi como o melhor jogador de todos os tempos.
O melhor foi Pelé, não há comparação possível. Uma explicação simples, considerando apenas as habilidades futebolísticas ambos, isto é, sem levar em conta os títulos conquistados:
1. Pelé fez tudo o que Messi faz em campo; não há nenhuma habilidade do craque argentino que tenha faltado ao brasileiro; Messi não criou nada que Pelé não tenha feito;
2. A recíproca não é verdadeira: Messi não faz tudo o que Pelé fez em campo. Exemplos: saltar a uma altura de 2,43 metros – 70 cm acima de sua altura (1,73 m) – para matar a bola no peito no ar ou cabeceá-la ao gol; fazer gol de bicicleta; correr 100 metros em 11 segundos; driblar um time inteiro antes de concluir para o gol (o rei fez isso num jogo contra o Fluminense e a façanha se tornou gol de placa nas galerias do antigo Maracanã). Além disso, o coração de Pelé batia de 56 a 58 vezes por minuto em treinamento (bem abaixo da média dos atletas, que de 90 a 95 bpm). Isso lhe permitia recuperar-se de grandes esforços em menos de um minuto. Sua visão periférica era 30% superior à média de outros atletas. E, por último, mas, não menos importante: nunca vi Messi jogar no gol, coisa que Pelé fez e muito bem.
Qualquer comparação entre jogadores de futebol deveria excluir Pelé porque, até o momento, não surgiu ninguém parecido com ele. Falar em títulos, número de gols, dribles e jogadas criadas por ele chega a ser covardia porque Pelé é, por exemplos, o único que conquistou três Copas do Mundo.
Quando acrescentamos o fato de Pelé ter jogado num tempo em que ele era literalmente caçado em campo (porque não havia cartão amarelo nem vermelho), a bola era pesada, as chuteiras não tinham 1/10 da tecnologia existente hoje, quando não havia equipamentos moderníssimos para a manutenção da forma física nem tratamentos médicos avançados para a recuperação rápida e eficiente de contusões, nem muito menos o desenvolvimento de uma nutrição balanceada para atletas de alto desempenho, concluímos que fica ainda mais difícil fazer comparações.
Pelé superou com assombro todas essas dificuldades para jogar futebol de forma absoluta e encantadora, inclusive, para os amantes do futebol nos dias atuais (e para todo o sempre).
O futebol-espetáculo que vemos hoje foi criado por Pelé. O futebol-arte, mágico, o jogo bonito, plástico e ao mesmo tempo efetivo nasceu com Pelé em 1958, quando, aos 17 anos, ele e Garrincha saíram do banco de reservas da seleção para conquistar a primeira Copa e encantar o mundo. Ali, Pelé revolucionou o futebol, ajudando a torná-lo um esporte admirado em todo o planeta. Foi Pelé quem semeou o sonho de milhões de crianças, adolescentes e jovens do mundo inteiro de jogar futebol.
Os americanos, me perdoe, não entendem de futebol. Nunca entenderam e não sei se chegarão a entender algum dia.
Alguém dirá: “Mas e a hegemonia americana no futebol feminino?”. Esta é notável, mas há um aspecto a ser considerado: as americanas começaram a jogar profissionalmente muito antes das brasileiras e acho que da maioria das mulheres de outros países. A hegemonia americana no futebol feminino terminará assim que os outros países derem ao esporte o destaque que ele merece. Não vai demorar. Veja que o Brasil, mesmo quando não dava nenhuma importância ao futebol feminino, já ameaçou várias vezes acabar com a hegemonia dos EUA.
No dia em que aparecer um jogador com as mesmas qualidades de Pelé, e que conquiste ao menos metade do que ele conquistou, aí, dá para conversar. Talvez, por causas características do atual futebol coletivo, jamais surja alguém como Pelé, embora isso seja possível, embora não tenha acontecido ainda.






