Os quatro irmãos de Oliver Rodgers, menino de 3 anos morto após ser espancado pelo pai em Viamão, permanecem juntos em um serviço de acolhimento institucional e recebem atendimento especializado para garantir proteção, desenvolvimento e bem-estar. A informação foi divulgada nesta terça-feira (21) pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), que acompanha permanentemente o caso.
As crianças, com idades entre 1 e 9 anos, estão acolhidas em uma instituição considerada referência regional no atendimento a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. Segundo o MPRS, o vínculo entre os irmãos está sendo preservado, e eles têm acesso a acompanhamento técnico, atividades recreativas, educativas e espaços destinados à convivência.
De acordo com a promotora de Justiça Tatiana Alster, responsável pelo acompanhamento das medidas protetivas, a prioridade é assegurar condições para que as crianças possam reconstruir suas vidas após a violência sofrida.
“O foco neste momento é assegurar a proteção integral das crianças, oferecendo condições para que possam reconstruir suas trajetórias com dignidade, segurança e perspectiva de um futuro melhor”, afirmou.
Recentemente, os irmãos participaram de uma festa junina promovida pela instituição, com brincadeiras e comidas típicas, em uma iniciativa voltada ao acolhimento e à socialização.
Além de acompanhar a situação dos irmãos, o Ministério Público informou que adotou medidas para viabilizar o sepultamento de Oliver.
Na segunda-feira (20), o promotor de Justiça Cláudio Rodrigues Araujo atuou para agilizar a liberação do corpo da criança e permitir a realização do funeral social.
A atuação ocorreu após decisão da 1ª Vara Criminal do Tribunal do Júri e de Execução Criminal de Viamão, que determinou o deslocamento da mãe de Oliver, presa preventivamente na Penitenciária Estadual Feminina de Guaíba, ao Departamento Médico-Legal (DML) para realizar o reconhecimento formal do corpo. Segundo o Ministério Público, todas as perícias já haviam sido concluídas, restando apenas esse procedimento para autorizar a liberação.
Relembre o caso
Oliver Rodgers morreu no dia 8 de julho, após sofrer agressões atribuídas ao pai, o missionário norte-americano Dandre Jermaine Grayson.
Em depoimento à Polícia Civil, ele confessou ter espancado o filho porque o menino não lhe deu “bom dia”. Conforme as investigações, a criança sofreu socos no tórax e no abdômen, além de ter a cabeça batida contra o chão. Oliver chegou a ser socorrido e transferido para um hospital de Porto Alegre, mas não resistiu aos ferimentos.
A mãe também foi presa preventivamente e é investigada por possível participação nas agressões e pela omissão diante da violência praticada contra os filhos.
Paralelamente ao processo criminal, o Ministério Público busca reconstruir o histórico da família.
O órgão acionou a Interpol para verificar se o pai possui antecedentes ou investigações relacionadas à violência contra crianças nos Estados Unidos. Também requisitou informações às autoridades de São Paulo e Santa Catarina, estados onde a família viveu antes de se estabelecer em Viamão, para identificar eventuais registros anteriores de violência ou acompanhamento pelos órgãos de proteção.
Além disso, o MPRS solicitou os prontuários médicos dos demais filhos do casal para verificar a existência de episódios anteriores de agressão.
A Polícia Civil também investiga a suspeita de que um objeto tenha sido utilizado nas agressões que provocaram a morte de Oliver. A hipótese ainda depende da conclusão das perícias e dos depoimentos colhidos durante o inquérito.
O pai e a mãe permanecem presos preventivamente enquanto prosseguem as investigações sobre todas as circunstâncias do caso.






