O Quiosque da Cultura de Gravataí, na Praça Leonel de Moura Brizola, no Centro, recebe uma exposição que convida o público a enxergar o mundo a partir da criatividade e da imaginação das crianças.
Intitulada “Entre Sonhos e Realidades”, a mostra foi idealizada pelo artista Denis Bueno e reúne trabalhos produzidos por crianças da EMEF Hugo Gerdau, de Sapucaia do Sul, e participantes do projeto de arteterapia do Espaço Terapêutico Andrea Ortiz, de Gravataí.
A exposição reúne pinturas e outras criações produzidas em diferentes suportes, como telas, caixas, papelão reciclado e superfícies rústicas e tridimensionais. A diversidade dos materiais acompanha a variedade de formas encontradas pelas crianças para expressar sentimentos, sonhos e percepções sobre a realidade.
A proposta é transformar o espaço expositivo em um ambiente de acolhimento e imersão, permitindo que o público percorra diferentes narrativas construídas a partir do olhar infantil.
A mostra é formada por dois núcleos que nasceram de projetos distintos, mas que têm a arte como ponto de conexão.
O primeiro reúne trabalhos de estudantes que participam de um projeto de arte desenvolvido na EMEF Hugo Gerdau, em Sapucaia do Sul. A iniciativa mostra como a arte pode ser utilizada no ambiente da educação pública como ferramenta de expressão, criatividade e desenvolvimento social.
O segundo núcleo apresenta produções realizadas no projeto de arteterapia do Espaço Terapêutico Andrea Ortiz, conhecido como Criativos. Nesse caso, a pintura é utilizada como forma de expressão de sentimentos e subjetividades, além de integrar as dinâmicas de grupo.
Para Denis Bueno, a experiência revelou diferenças marcantes na maneira como os dois grupos lidam com o processo criativo.
“Sou professor na rede pública de Sapucaia e na particular em Gravataí em Arteterapia com crianças neurodivergentes. Ao trabalhar a temática de sonhos, vi como eram distintas as formas de criar, pensar, expressar desses diferentes públicos.”
Segundo o artista, a oportunidade de levar os trabalhos para uma exposição surgiu por meio de um edital de Gravataí.
“Consegui no edital Portas Abertas que eles pudessem expor nesse espaço que é incrível para qualquer artista das artes visuais.”
Crianças vão conhecer a própria exposição
Além de apresentar os trabalhos ao público, a iniciativa pretende proporcionar aos próprios autores uma experiência inédita: visitar uma exposição de suas próprias obras.
Para viabilizar o transporte, foram vendidos 60 bottons produzidos manualmente. O dinheiro arrecadado foi utilizado para custear o ônibus que levará as crianças até Gravataí.
“Após a venda de 60 bottons feitos de forma manual, conseguimos dinheiro para pagar o ônibus e nesta terça levaremos os próprios artistas para verem suas obras na exposição”, conta Bueno.
Para o artista, a visita representa um momento especial para crianças que, em muitos casos, ainda não tiveram contato com espaços culturais.
“São duas realidades tão distintas e que durante a exposição estão experimentando de formas tão singulares a alegria de expor e se sentirem artistas.”
Entre os estudantes da escola pública, a experiência ganha ainda mais significado. Segundo Bueno, os participantes são alunos do 7º e 8º anos e a maioria nunca havia visitado um museu.


Arte como espaço de escuta
Mais do que apresentar obras prontas, “Entre Sonhos e Realidades” busca valorizar o processo criativo vivido pelas crianças durante as oficinas.
A exposição parte da ideia de que o olhar infantil também é capaz de produzir interpretações próprias sobre o mundo, misturando experiências do cotidiano, imaginação, sentimentos e sonhos.
Nesse contexto, a pintura funciona como uma forma de comunicação que não depende apenas das palavras. As cores, formas e materiais escolhidos pelos pequenos artistas passam a ocupar o espaço público e convidam os visitantes a conhecer diferentes maneiras de perceber e transformar a realidade.
A mostra também reforça a importância de ampliar o acesso das crianças à cultura e aos espaços de exposição, colocando-as não apenas na posição de público, mas também de autoras e protagonistas da produção artística.
Com trabalhos que transitam entre o concreto e o imaginário, a exposição transforma o Quiosque da Cultura em um espaço de encontro entre diferentes infâncias — e mostra que, quando têm oportunidade de criar, as crianças também podem ensinar novas formas de olhar para o mundo.






