RAFAEL MARTINELLI

Por que Zaffa acertou ao demitir assessora de vice-prefeito investigada pela polícia por fake news; as novas revelações

Na última sexta-feira (11), apontei neste mesmo espaço que o prefeito Luiz Zaffalon (PSD) e o vice-prefeito Dr. Levi Melo (Podemos) respondiam com uma cautela protocolar demais e um perigoso vácuo de ação diante do terremoto provocado pela Operação Persona nos bastidores da política de Gravataí.

Está lá, em O vídeo de Dimas e o abismo na resposta de prefeito e vice ao escândalo de assessora investigada por fake news em Gravataí.

Enquanto o ex-deputado estadual Dimas Costa (PSD) vinha a público tratar os ataques com a gravidade de quem teve até a saúde do pai idoso vilipendiada em linchamento virtual, a cúpula do Executivo gravitava entre busca por mais informações sobre o inquérito policial e uma nota burocrática.

Pois o simbolismo que constrói a política exige gestos práticos guarda agora sua resposta institucional necessária: Zaffa acerta ao assinar a exoneração da assessora investigada.

A demissão da servidora, que ocupava cargo em comissão (CC) na assessoria do gabinete do vice-prefeito e exercia função diretiva no Podemos, tira a gestão pública da incômoda postura de fingir normalidade. Não se tratava apenas de aguardar o devido processo legal para “evitar injustiças”, mas de proteger a própria credibilidade da máquina pública municipal, suspeita de ter sua estrutura ou conexão de internet instrumentalizada para ataques de fake news e difamação.

A gravidade do episódio — revelado com exclusividade pelo Seguinte: na quarta-feira (9) — ganhou contornos ainda mais concretos nesta segunda-feira (14), a partir de novas revelações apuradas e divulgadas pelo portal Giro de Gravataí; para ler clique aqui.

Conforme publicação do Giro, a Polícia Civil reuniu indícios que apontam para a autoria da criação de ao menos um dos perfis falsos utilizados na investida contra Dimas Costa. Mais do que isso: as apurações do Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DERCC), chefiado pelo delegado Eibert Moreira Neto, indicam que a mesma pessoa investigada repassou a outro suspeito o aparelho celular utilizado na ação criminosa.

Ainda segundo as apurações do portal de notícias, o celular apreendido havia sido formatado recentemente, mas passou por processos de extração de dados pelos peritos, o que permitirá cruzar as informações recuperadas com os registros dos perfis fakes. Mesmo com a perícia em andamento, a Polícia Civil já trabalha com a confirmação material de que o aparelho localizado foi, de fato, o meio empregado nos ataques.

Esses novos elementos reforçam que a decisão do prefeito em desligar a assessora foi acertada e tempestiva. Manter a investigada circulando pelos corredores do governo enquanto a polícia avançava no cruzamento de dados seria insustentável.

Outro ponto fundamental trazido pelo Giro de Gravataí é o foco do inquérito sobre a possível participação de terceiros. Os investigadores buscam esclarecer se a responsável agiu por conta própria ou sob orientação e mando de articuladores políticos. Embora o processo tenha partido da denúncia individual de Dimas, a polícia analisa se há uma rede estruturada e permanente dedicada a disparar ataques virtuais contra múltiplos alvos — suspeita que encontra eco nos relatos do próprio presidente da Câmara, Dilamar Soares (Dila), e do vereador Paulinho da Farmácia, ambos pertencentes ao Podemos, que também apontaram ataques do mesmo modus operandi vindos de perfis associados.

Por parte do vice-prefeito Dr. Levi, sua campanha manifestou-se reconhecendo a existência de indícios e repudiando práticas de desinformação, sublinhando que Levi esteve severamente afastado das funções políticas à época dos fatos devido a um quadro grave de saúde (uma mielite dorsal), o que afasta sua participação direta no episódio.

Ao fim, ao demitir a servidora, que ocupava um CC, cargo de indicação política, reputo Zaffa faz a leitura correta do momento: no Grande Tribunal das Redes Antissociais e na política institucional, passar a mão na cabeça de investigados por fake news custa caro. A demissão estabelece a fronteira entre a gestão pública e os excessos subterrâneos da disputa eleitoral.

Caberá agora à Polícia Civil concluir o inquérito e responder às perguntas que faltam: se a assessora agiu isoladamente ou se operava como engrenagem de uma estrutura maior. O primeiro e mais urgente passo do governo, contudo, foi dado.


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