COMPORTAMENTO

Especialistas em Direito Digital alertam para riscos de IA: ‘Máquinas no comando’

A evolução do uso de Inteligência Artificial na internet, que inclui a propagação de vídeos fakes de pessoas reais, diálogos com robôs e até estudos acadêmicos, tem ligado o sinal de alerta para especialistas em Direito Digital.

Pesquisas do Pisa da OCDE apontam que quase 48% dos estudantes brasileiros utilizam chatbots de IA ao menos uma vez por semana para estudar, índice acima da média global. Como consequência disso, especialistas alertam para a perda de habilidades de escrita e de raciocínio lógico, a exemplo do que ocorreu com a capacidade de navegação devido ao uso contínuo do GPS.

“O interessante seria desenvolver essa relação com a IA. Mas, como estamos numa sociedade altamente competitiva, o aluno está perdendo a oportunidade de desenvolver uma habilidade porque ela está sendo usada pela própria máquina, capaz de escrever pelo ser humano”, adverte Leonardo Cruz, coordenador do Observatório Educação Vigiada e pesquisa plataformização da educação superior no Brasil.

Especialista em Direito Digital e autora do livro “O Direito Azul”, Thamyris Corrêa Cardoso alerta para o risco de “terceirização de emoções”. Segundo ela, a substituição do ser humano pode levar à precarização de algumas profissões e aumento dos poderes adquiridos com base no avanço tecnológico.

Ela entende, ainda, que esse processo deve se intensificar nos próximos anos, podendo ter consequências nebulosas.

“Estamos terceirizando até as nossas emoções para as máquinas, com pessoas usando IA como forma de tratamento psicológico. Existe uma coleta de dados por trás disso e há um risco de distanciamento ainda maior entre as pessoas”, alerta a advogada, que já participou de comissões da OAB sobre o tema.

Segundo a especialista, o avanço tecnológico intensifica as vulnerabilidades emocionais. “Isso vai fazer com que a sociedade mude. Com isso, precisaremos analisar o contexto com base na tecnologia e na evolução do Direito para falar com a sociedade. Senão, as máquinas vão dominar a humanidade em um futuro próximo”, diz.

Thamyris diz que a solução está na busca pelo equilíbrio entre a consciência em relação ao seu próprio conhecimento e o uso das máquinas como instrumento para servir a humanidade. “Só assim poderemos encarar os avanços tecnológicos como aliados dos nossos direitos”.

“Só será possível encontrar um equilíbrio com a consciência dos nossos poderes e dos nossos direitos aliados aos avanços tecnológicos”, sugere.

Pesquisadores de universidades como a Unicamp alertam que o uso indiscriminado pode gerar perda de habilidades de escrita e raciocínio prático, assemelhando-se ao que ocorreu com a nossa capacidade de navegação após o uso contínuo do GPS.

“O interessante seria desenvolver essa relação com a IA, a habilidade também de se relacionar com ela, junto com os alunos. Mas, como estamos numa sociedade que é altamente competitiva e os métodos também são muito competitivos e restritos, em termos de tempo, criamos esse jogo de gato e rato em que professores tentam não ser tapeados por alunos que estão numa relação pobre com a IA. Só que o aluno não está vendo que ele está perdendo a oportunidade de desenvolver uma habilidade, porque essa habilidade está sendo sequestrada pela própria máquina ao se colocar como capaz de escrever por você”, diz Evangelista.

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