A Defesa Civil de Gravataí apresentou, na terça-feira (29), um projeto que prevê a criação de um Núcleo Comunitário de Proteção e Defesa Civil (NUPDEC) no bairro Vila Rica, uma área vulnerável a cheias do Rio Gravataí. A proposta foi defendida durante a 4ª fase de seleção de projetos do Fundo para Reconstituição de Bens Lesados (FRBL), gerido pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS).
O projeto de reestruturação operacional da Defesa Civil prevê investimento de R$ 605.348,74. A intenção é ampliar a capacidade do município de prevenir riscos, monitorar situações de emergência e agilizar o atendimento à população em episódios de desastres naturais e eventos climáticos extremos.
A apresentação ocorreu na sede do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional do MPRS (CEAF), em Porto Alegre. A proposta ainda passa pelo processo de seleção do fundo.
A principal novidade prevista no projeto é a implantação de um Núcleo Comunitário de Proteção e Defesa Civil (NUPDEC) no bairro Vila Rica.
Na prática, a estrutura funcionará como um ponto de apoio da Defesa Civil mais próximo dos moradores de uma região sujeita a alagamentos e cheias. O objetivo é aproximar a prevenção e o atendimento emergencial da comunidade, além de preparar voluntários para colaborar em situações de risco.
O núcleo deverá contar com uma estrutura modular instalada em contêineres na Rua Jorge Tadeu. O espaço será destinado à triagem e ao monitoramento, permitindo que as equipes tenham uma base de atuação mais próxima da área vulnerável.
Além da estrutura física, o projeto prevê a capacitação contínua de voluntários locais. A ideia é formar moradores para auxiliar em ações preventivas e no apoio operacional durante situações de emergência.
Com isso, a proposta busca fazer com que a comunidade tenha participação mais direta na proteção do próprio território. Em uma situação de cheia, por exemplo, moradores capacitados poderão colaborar na identificação de riscos, no repasse de informações e no apoio às equipes oficiais, dentro das orientações da Defesa Civil.
O projeto também prevê a compra de veículos e equipamentos destinados ao trabalho das equipes em campo.
Entre os itens estão quadriciclos, embarcações e um gerador, além de equipamentos de proteção individual e recursos tecnológicos. A proposta também inclui materiais destinados ao acolhimento humanitário de pessoas afetadas por emergências.
Os valores previstos estão distribuídos da seguinte forma: R$ 349.285,48 para a estrutura modular em contêineres; R$ 155.022,75 para veículos e equipamentos de resgate, como quadriciclos, barcos e gerador; R$ 29.443,00 para itens de acolhimento humanitário; e R$ 65.551,71 para equipamentos de proteção individual (EPIs) e recursos tecnológicos.
A soma corresponde ao investimento total de R$ 605.348,74 previsto na proposta.
Segundo a administração municipal, o projeto pretende ampliar a atuação preventiva da Defesa Civil. A estratégia é fortalecer a estrutura para que o município esteja preparado antes que uma situação de emergência aconteça, especialmente em regiões expostas a eventos climáticos.
“O objetivo ao apresentar este projeto ao FRBL é transformar a atuação da segurança e da proteção civil em Gravataí, passando de um modelo reativo para uma gestão verdadeiramente preventiva e resiliente”, afirmou o secretário municipal para Assuntos de Segurança Pública, Emílio Teixeira.
Segundo ele, o investimento poderá ampliar a capacidade de proteção da população e do patrimônio das famílias afetadas por emergências climáticas.
Para o coordenador da Defesa Civil, Juristaldo da Motta, a proposta tem como um dos principais objetivos melhorar o atendimento direto aos moradores.
“O projeto viabilizará equipamentos táticos, embarcações e uma estrutura física moderna que trarão mais agilidade e eficiência às nossas equipes em campo”, afirmou.
A escolha do bairro Vila Rica está relacionada à vulnerabilidade da região às cheias do Rio Gravataí. A instalação do NUPDEC no local será um projeto-piloto que poderá servir como referência para o fortalecimento da atuação comunitária da Defesa Civil no município.
A proposta combina, portanto, estrutura física, equipamentos, tecnologia e participação dos moradores. O núcleo não substitui a atuação das equipes oficiais, mas cria um ponto de apoio local e uma rede de voluntários preparada para colaborar com a prevenção e o atendimento durante situações de crise.
A defesa da proposta nesta terça-feira faz parte do processo de seleção do FRBL. O recurso solicitado ainda depende da análise e aprovação dentro do programa.





