SAUL TEIXEIRA

Abel Braga acaba de sepultar a condição de ídolo do Inter

Amizade, amor e lealdade a gente mensura na hora difícil, do desalento, do temor, das lágrimas. Na hora da festa, o salão sempre estará cheio, repleto, diverso, barulhento e cheio de holofotes.

Quando a criança é bonita, temos muitos candidatos à paternidade. Mas, quando a água bate no nariz, quando a desgraça ronda a calmaria do lar, precisamos separar o joio do trigo. Quem estará contigo na trincheira vale muito mais do que a própria guerra.

Em 116 anos, somente um treinador levou o Sport Club Internacional ao topo do Planeta Bola. Um carioca da gema. Pianista? Um apreciador de bons vinhos. Um ex-zagueiro viril. Um treinador raiz. Bagaceira, no bom sentido. Politicamente incorreto, por vezes. Chutador de porta de vestiário.

A declaração sobre a camiseta rosa foi infeliz, desnecessária, condenável. Repudiamos; ele já pediu desculpas. O tradicional adversário já surfou na onda. A imprensa do país todo já rechaçou. Voltemos ao campo, agora.

Abelão já havia conquistado a eternidade. Um eterno vice-campeão, diziam. Até chegar o louvado ano da graça de 2006…

“A razão evidencia que o Inter já caiu pra Série B. Futebol precário, elenco amedrontado, organização institucional pífia e amadora (…). Porém, a humildade, a paixão e a grandeza de Abel Braga podem mexer com o sobrenatural, com as estruturas do acaso”, postou o jornalista e escritor Lucas Barroso, com quem tive a satisfação de compartilhar alguns desafios profissionais no passado recente. Assino com a relatoria.

Abelão trocou o luxo da beira-mar pelo olho do furacão. Rasgou a cartilha da zona de conforto e comprou passagem rumo ao inferno. A direção Barcellos demitiu o treinador no início da gestão, após o improvável vice no Brasileirão 2020/21, jogado com portões fechados na pandemia. Abel sabe que as pessoas são passageiras. Ninguém é maior que o Internacional. Abel vem sem vaidades, sem remuneração. Trocou a aposentadoria pela paixão juvenil, pelo amor platônico. Pelo quase devaneio.

A direção colorada transformou um Campeão do Mundo em um timeco de bairro. Se fosse minimamente competente, a família Díaz sequer teria concedido entrevista no pós-jogo. A derrota de 5 a 1 para o “frágil” Vasco da Gama é um emblema e tanto. Um resumo “perfeito” da gestão de Alessandro Barcellos.

Menos mal que fizeram o óbvio 24 horas depois. O criticado D’Alessandro, responsável pela vinda do “Pai e do Filho”, foi determinante para a última cartada com Abelão.

Abel é o engenheiro do impossível. Filho do milagre. Pai da esperança! As frases acima foram pinçadas do belíssimo vídeo postado pela “Rádio Inferno” no final de semana. Eu não teria capacidade para resumir melhor o atual momento.

Homens, mulheres, “viados”. Brancos, pretos, pardos. Meninos, meninas e menines colorados. Sugiro que ninguém largue a mão de ninguém. Acreditem. Tenham fé. Façam promessas. O momento é de união!

A vitória no Gre-Nal do Século, de virada, com um a menos, é inspiração. O primeiro título da Libertadores, contra o campeão do mundo, São Paulo, é farol. O improvável título mundial contra o Barcelona de Ronaldinho “gremista” Gaúcho é milagre para quem está a um passo da morte. Aconteça o que acontecer…

Abel Braga acaba de sepultar a condição de ídolo do Inter. Virou lenda. Emblema. Herói maioral. Rebatizem o nome do Beira-Rio ainda em vida. Para ontem.

Estádio Abel Carlos da Silva Braga. É o mínimo para coroar o maior colorado de todos os tempos.

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