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Albani, o cantador homenageado da Feira de Gravataí

Carlos Albani, aos 32 anos, nasceu junto com a Feira e é o homenageado do ano | GUILHERME KLAMT

A camisa com a imagem de Belchior gravada não é coincidência, é causa. A camisa vestia o cabeludo, que tem a mesma idade da Feira do Livro — 32 anos — e leva o seu projeto Cavalgando ao Vento de Gravataí por aí. Carlos Albani é o homenageado desta edição da Feira, e na noite desta quarta, improvisou um discurso durante a abertura oficial do evento.

— Para mim, ser homenageado da Feira é mais do que uma homenagem, é um incentivo a continuar acreditando na minha arte. Quando me convidaram, não imaginei que fosse para ser o homenageado da Feira do Livro. Pensei que fosse um convite para participar dos eventos que sempre faço questão de estar e incentivar. Fui surpreendido pela homenagem — disse.

 

 

É possível falar do Albani músico, do Albani poeta, escritor, ou do professor que há 10 anos está nas salas de aula de Gravataí. Atualmente, leciona em duas escolas da rede municipal: Alberto Pasqualini, na Morada do Vale II, e Nova Conquista, no Rincão da Madalena, e, para aflição dos que condenam a cultura e o pensamento crítico em sala de aula, faz questão de levar ao ambiente escolar a causa que a camisa de Belchior sugere.

— O papel do artista e do educador hoje é o que sempre teve, o de estimular a criatividade e exercitar isso. É preciso fugir do óbvio e não cair nos ranços de lado a lado nessa disputa em que tudo se transformou. O papel do artista e do educador é, cada vez mais, de mediador entre o mundo duro, real, e o incentivo à criação e ao pensamento crítico. Sempre foi assim — resume o homenageado da Feira.

 

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O escritor é um dos expoentes jovens do Clube Literário de Gravataí. E foi do pessoal do clube que recebeu os primeiros abraços após o discurso ao lado do prefeito, da secretária e da patrona Fernanda Takai. “Honrou a camisa”, diria o pessoal do futebol.

Assim como o seu inspirador, Belchior, Albani resume o projeto Cavalgando o Vento, que leva adiante desde 2002 com “canções, poesia e ficção — ventiladores contra o inferno geral em que estamos metidos”. Qualquer semelhança com a obra do “cantador”, como Albani define Belchior, não é mera coincidência. Como dissemos, é uma causa. E encaixou perfeitamente no cenário da Feira do Livro do engajamento pela cultura.

Albani é o homenageado da Feira. E para quem não conhece muito do seu trabalho, curte lá o blog do Cavalgando o Vento, onde ele deixou gravada a faceirice de ter o nome no cartaz da Feira do Livro.

 

Fiquei faceiro pra dedéu

Com a boa surpresa

Deste final de ano:

Inesperadamente

Assim assim mesmo

(Quase fui de chinelo de dedo!)

[Acreditam?]

A equipe da Feira do Livro de Gravataí

Me convida pra ser o autor homenageado!

A Feira nasceu junto comigo, em 1986

Já são 32 primaveras

E como este ano o tema é

Letra(s) & Músicas

O pessoal insistiu em ver algum valor

No meu modesto cancioneiro…

Componho desde antes de ter bigodes

Quando cantava (na real, gritava!)

Roque enrow com a banda Madame Satã

Depois fui lecionar na escola pública

(Há dez anos venho

Tenteando iniciativas de arte-educação

Com a gurizada da periferia trabalhadeira)

E desde 2012 reúno meus livros

(São dois impressos e outros 1000 na cachola)

Assim como, centenas de canções ventosas

Reunidas, dizia

No projeto

CAVALGANDO o VENTO (CoV)

Minha arte sempre foi feita de forma independente & artesanal

Anarquicamente estruturada em:

(Será isso possível?)

Multiplicar a sensibilidade humanista

Através do lirismo, do bom-humor, da crítica social;

Romper os diques da criatividade

Da invenção de símbolos e personagens

Experimentando todas as linguagens que

Posso encontrar em livros pra ler e aprender:

Canções, poesia e ficções!

Pra ventilar o Inferno geral

Em que estamos metidos

Pra ensinar, desaprender

Trançar balaios de mentirinha

Ao mesmo tempo que experimentamos

Novas técnicas pra pegar jacaré

Na Praia de Baunilha

Ou pescamos peixes-gravatas

Que meu amigo imaginário

O Pégaso de Pau

Jura que viu no rio Gravatahy.

(Daí que alguns amigos

Me apelidaram de

Inventor do Vento!)

Sendo assim

Te convido pra curtir a Feira

De cabo a rabo

 

CONFERE A PROGRAMAÇÃO do 4º DIA

Quinta (dia 29)
 

9h às 18h – Exposição Do Esboço ao Livro. Ilustrações de Catherine de Léon – Quiosque da Cultura
10h – Oficina de Escrita Criativa Escrevendo com Pink Floyd – Emir Rossoni – Biblioteca Pública Municipal
12h às 21h – Troca de Livros – Espaço Cultural SMCEL
12h às 21h – Exposição A Música e suas Tecnologias – Espaço Cultural SMCEL
13h30min às 17h30min – Contação de Histórias -Rosane Castro -Tenda de Histórias Denise Medonha
13h30min – Espetáculo musical: Nesse Mundo Maluco – Grupo MÚ – Teatro Fernanda Takai
15h – Palestra Musicada com Rodrigo Munari: A Inclusão e s Diferenças que se Complementam – Teatro Fernanda Takai
16h – Sessão de Autógrafos – Diferenças, de Rodrigo Munari – TeatroFernandaTakai
17h – Brincantes na Rua – Circo Enquanto Tiver Amor – Espaço da Feira/Praça
18h – SarauPalavra Cantada-Angélica Rizzi – CaféInventor do Vento
19h30min – Sessão de Autógrafos: Buquê de Flores, de Osvando Perez Alves – CaféInventor do Vento
20h – Espetáculo Musical -Lítera: TurnêCaso Real – Teatro Fernanda Takai

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