A Prefeitura de Cachoeirinha abriu expediente administrativo e estabeleceu prazo de 48 horas para que a equipe técnica apresente solução para os problemas na implantação das ciclofaixas no município — entre eles, o caso mais emblemático: a pintura da faixa para bicicletas sobre o piso tátil destinado a pessoas com deficiência visual.
A atual gestão trata a situação como herança da administração do ex-prefeito cassado Cristian Wasem e do ex-vice Delegado João Paulo Martins.
– Chegamos em uma cidade que não tinha o básico. Era um cenário de caos administrativo. A ciclofaixa é só mais uma herança – resume Cláudio Ávila, assessor especial da prefeita interina Jussara Caçapava, sobre a obra que integra o Pró-Transporte, um programa do governo federal.
O investimento orçado inicialmente em R$ 1.212.619,49, conforme o Portal da Transparência de Cachoeirinha, apresenta atrasos durante toda execução que começou em 2019. A investigação interna também vai verificar eventuais aditivos ao contrato.
O despacho determina a apresentação, em até 48 horas, de um plano detalhado contendo diagnóstico da situação atual, avaliação dos riscos à mobilidade e acessibilidade, propostas de correção ou revisão do traçado, além de estimativa de custos e prazos.
Também foi solicitado o envio imediato de documentos como contrato, projeto executivo, ordem de início da obra e informações sobre as medidas adotadas em relação à empresa responsável.
Segundo a administração, a prioridade é garantir segurança, legalidade e interesse público, “com a possibilidade de revisão de atos da gestão anterior sempre que houver risco à população”.
O caso ganhou dimensão estadual após denúncia do vereador Léo da Costa (PT). Só no Instagram, a postagem feita há cinco dias já alcançava, na manhã desta terça-feira, 77,7 mil curtidas, além de milhares de comentários, compartilhamentos e encaminhamentos.
Não é detalhe. É sintoma.
A força das redes acelerou o que, em outros tempos, poderia se arrastar por semanas nos corredores administrativos.
Ao fim, acerta o governo da prefeita interina Jussara Caçapava ao abrir investigação formal. Dá à polêmica a transparência que o tema exige.
O problema das ciclovias em Cachoeirinha não nasce agora. Vem desde o governo Miki Breier, atravessou a gestão Cristian e desemboca, agora, às cegas, no colo de Jussara.
Se houve erro de concepção, execução ou fiscalização, é preciso identificar. Se está errado, é preciso consertar.
A abertura do expediente administrativo não resolve o problema. Mas sinaliza algo relevante: o reconhecimento de que a cidade não pode naturalizar soluções improvisadas.
Entre a ciclovia e o piso tátil, há mais do que tinta sobre concreto.
Há o teste de uma gestão diante de um erro visível — e amplificado.
E, na política, o que é visível raramente volta a ser invisível.
Ainda mais nos 4,5 quilômetros de uma ciclovia que, por anos, já resta inscrita nos Grandes Lances dos Piores Momentos de Cachoeirinha.






