MOBILIDADE

Estudo identifica quatro grandes gargalos viários de Cachoeirinha; veja quais são

Estudo foi apresentado em audiência pública

A Câmara Municipal de Cachoeirinha sediou, na quarta-feira (17), uma audiência pública para apresentação do diagnóstico do Plano de Mobilidade Urbana do município. O encontro, promovido pela Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (SMMOB), reuniu autoridades, profissionais do setor de transporte e moradores interessados em discutir os desafios e as perspectivas para a circulação na cidade.

O estudo foi elaborado pela empresa Líder Engenharia e Gestão de Cidades, contratada por meio de licitação. Segundo o secretário municipal de Mobilidade Urbana, Jarzinski Martins, o plano atende a uma exigência da legislação federal para municípios com mais de 20 mil habitantes e representa o resultado de seis meses de trabalho técnico.

“É um grande levantamento realizado pela empresa Líder, com muito conhecimento técnico. É o resultado de seis meses de trabalho”, afirmou o secretário.

Representando a prefeita Jussara Caçapava (Avante), o secretário-geral de governo, Samuel Serra, destacou que a mobilidade urbana vai além das condições das vias e do transporte coletivo.

“Mobilidade urbana é qualidade de vida. É o tempo que o cidadão leva no transporte coletivo, é o deslocamento de uma ambulância. Certamente temos muito a avançar e hoje, aqui nesta audiência, é o momento da participação popular. O Plano de Mobilidade que estamos discutindo não é apenas para este governo, é para a cidade, para os próximos anos”, declarou.

Durante a apresentação, a arquiteta e urbanista Jade Borges, representante da empresa responsável pelo plano, explicou que o diagnóstico corresponde à terceira de cinco etapas previstas para a elaboração do documento final, que posteriormente será transformado em projeto de lei.

O estudo apontou que Cachoeirinha possui alta densidade demográfica, com 3.112,48 habitantes por quilômetro quadrado, em um território de apenas 43,76 km². A população estimada em cerca de 141 mil habitantes coloca o município entre os 15 mais populosos do Rio Grande do Sul.

Segundo a urbanista, a expansão urbana, que até os anos 1980 se concentrava ao longo da Avenida Flores da Cunha, passou a avançar para as regiões oeste e noroeste, especialmente após 2005.

“A cidade está crescendo com rapidez e de forma espraiada, em diferentes regiões. Já não há mais tantas áreas possíveis para esta expansão dentro do território, então a tendência é de ampliação do crescimento vertical, mais prédios, gerando mais trânsito, demanda por esgoto e água”, analisou Jade.

Os dados da pesquisa

A pesquisa de origem e destino, realizada com 455 pessoas, revelou que o carro particular é o principal meio de transporte utilizado pelos moradores, representando 34,96% dos deslocamentos. Em seguida aparecem o transporte público (25,92%), os deslocamentos a pé (16,63%), motocicletas (6,33%), bicicletas (4,89%) e carros de aplicativo (4,16%).

O levantamento identificou os bairros Jardim Betânia, Fátima e Vista Alegre como os principais pontos de origem das viagens. Já o Centro e a Vila Carlos Antônio Wilkens concentram grande parte dos destinos, especialmente pela proximidade com a Avenida Flores da Cunha e a ligação com Porto Alegre.

O sistema municipal de ônibus opera com 58 veículos, idade média de 5,39 anos, acessibilidade e bilhetagem eletrônica, transportando cerca de 11,5 mil passageiros por dia útil. Apesar disso, o diagnóstico apontou falhas na cobertura das linhas.

“Temos áreas com grande concentração populacional na cidade em que as pessoas têm que caminhar mais de 300 metros para chegar num ponto de ônibus, que é um número que usamos como referência técnica da disponibilidade do pedestre”, explicou a urbanista.

Gargalos viários identificados

O estudo também destacou fatores que contribuem para a lentidão do trânsito, como a grande quantidade de semáforos e paradas de ônibus ao longo da Avenida Flores da Cunha, além da ocupação irregular de calçadas por veículos expostos em lojas de automóveis.

Entre os principais gargalos viários apontados no diagnóstico estão: Rua Espírito Santo x Avenida Estados Unidos; Rotatória da Avenida Marechal Rondon com a Avenida José Brambila, Rua Espírito Santo, Avenida Deputado Manoel Gonçalves Júnior e Rua São Salvador; Avenida Frederico Augusto Ritter x Estrada dos Capistranos; e Avenida Frederico Augusto Ritter x Avenida Obedy Cândido Vieira.

    A presença das rodovias BR-290 (Freeway) e RS-118, somada ao parque industrial e logístico da cidade, também foi apontada como um fator de aumento do tráfego de caminhões, que frequentemente estacionam em vagas destinadas a veículos de passeio e acabam dificultando a circulação.

    A audiência pública faz parte do processo de elaboração do Plano de Mobilidade Urbana, que ainda passará pelas etapas de propostas preliminares e entrega da versão final, acompanhada da minuta do projeto de lei que será encaminhada à Câmara Municipal.

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