Sou adepto do futebol-ciência, da performance, da leitura de jogo, da escalação assertiva, da vitória “merecida”, do triunfo como consequência da qualidade dos fluxos extracampo. Não existe explicação racional para a permanência do Sport Club Internacional na elite do futebol brasileiro. Muito pelo contrário…
Lembrando que não bastava apenas uma vitória simples do Colorado. Era necessário torcer para outros resultados e, talvez, ampliar o saldo de gols. Tudo certo nas combinações e triunfo por 3 a 1, mesmo “mal” escalado. Carbonero e Ricardo Mathias deveriam ter iniciado, não acham? Ou ao menos um deles.
Fim do inferno. Chega de pesadelo. Virem a página, troquem o disco. É o que suplica a Nação Alvirrubra! O Inter de Abelão voltou a rasgar a lógica.
“Compraram vela, fizeram caixão. A ‘nossa’ alma estava encomendada.”
O trecho da clássica Tordilho Negro, uma das obras mais notáveis do cancioneiro gaúcho, ajuda a explicar o que foi a vida do povo colorado após a derrota por 3 a 0 para o São Paulo, na última quarta-feira.
“Nem Jesus Cristo salva”…
As projeções jornalísticas e as flautas fazem parte do esporte bretão; o folclore e a criatividade do torcedor brasileiro são dignos de medalha de ouro. Só esqueceram de um simples detalhe: futebol é a arte do impossível! O Inter repetiu os “feitos” de 1999 e de 2002 contra o vexatório rebaixamento. E lembrou o tamanho da epopeia de 2006, quando 99% das projeções apontavam para uma goleada do Barcelona de Ronaldinho “gremista” Gaúcho. Final de jogo: “Mundo pintado de vermelho”, como eternizou Galvão Bueno.
Voltando a 2025, a matemática era outro duro adversário: mais de 70% de chances de a “desgraça” ser consumada. A história também já tinha lado: jamais um time que entrou na última rodada como 18.º colocado no Brasileirão conseguiu fugir da degola.
Que sirva de marco para uma nova e intransferível virada de chave! É preciso um choque de gestão ancorado no profissionalismo de todos os setores. A renúncia dos mandatários seria ouro. A gestão de Alessandro Barcellos cumpriu à risca a cartilha da tragédia esportiva. Ponto a ponto. Item por item. Página por página. Com LETRAS GARRAFAIS. Mas ainda existia uma “bala de prata”…
Abel Carlos da Silva Braga!
Alguns acharam que seria o último ponto da cartilha, o tal “pensamento mágico”. Novamente erraram. Relegaram a “mística”, deram de ombros para a superstição. Ironizaram a “aura” do carioca mais colorado do universo. Quem estará contigo na trincheira vale muito mais do que a própria guerra, principalmente na hora difícil.
Começaram a campanha pela estátua. Não voto contra, mas reforço a sugestão que manifestamos neste espaço na semana passada, antes mesmo do desfecho e dentro da lógica do Futebol Além do Resultado:
“Abel Braga acaba de sepultar a condição de ídolo do Inter. Virou lenda. Emblema. Herói maioral. Rebatizem o nome do Beira-Rio ainda em vida. Para ontem. Estádio Abel Carlos da Silva Braga. É o mínimo para coroar o maior colorado de todos os tempos.”
“Há muito mais coisas entre o céu e a terra do que pode imaginar a nossa vã filosofia.”
Se preferirem um português mais direto, objetivo e definitivo: Na tarde do dia 7 de dezembro do ano da graça, o imponderável voltou a vestir vermelho e branco.
“É um sentimento, para muitos para religião”…
Louvados sejam os deuses da bola e a “estrela” incomparável de Abelão!






