SEGURANÇA

Facção mata, extorque família e transforma casa em QG do crime em Canoas

Uma residência marcada por um homicídio brutal transformou-se, em poucas semanas, no que a polícia classificou como um verdadeiro ‘QG do crime’ no bairro Niterói, em Canoas. A ocupação do imóvel por integrantes de uma facção criminosa foi desarticulada por uma ação integrada da Polícia Civil, Polícia Militar e Guarda Municipal, que resultou na prisão de três adultos e na identificação de dez ocupantes, entre eles cinco menores de idade.

A operação envolveu agentes da Delegacia de Homicídios de Canoas, da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE), do 15º Batalhão da Brigada Militar e da Guarda Municipal, após o aprofundamento das investigações sobre o assassinato do antigo proprietário da casa.

O crime ocorreu em novembro de 2025. Segundo a Polícia Civil, a vítima vinha sendo ameaçada por criminosos para que passasse a trabalhar para um grupo organizado. Diante da recusa, foi executada em frente à própria residência, em um recado claro de intimidação.

A violência não cessou com o homicídio

Após a morte, os criminosos passaram a extorquir a família, exigindo que as três propriedades deixadas pela vítima fossem transferidas para a facção. Sob ameaça constante, os familiares abandonaram Canoas há cerca de duas semanas. Com a fuga, ao menos uma das casas foi invadida e passou a ser utilizada como base operacional do grupo.

No local, os policiais encontraram um cenário típico de domínio criminoso: arma de uso restrito, drogas e equipamentos de som, usados, segundo a investigação, tanto para intimidar a vizinhança quanto para perturbação deliberada do sossego público.

Foram apreendidos uma espingarda calibre 12 com numeração raspada, um simulacro de fuzil, entorpecentes e equipamentos de som de grande porte.

Três adultos foram presos pelos crimes de associação criminosa, extorsão e porte ilegal de arma de uso restrito. Eles foram encaminhados ao sistema penitenciário, onde permanecem à disposição da Justiça. Os cinco menores identificados foram entregues aos responsáveis e responderão por atos infracionais.

A delegada Graziela Zinelli, responsável pela investigação, destacou a rapidez do trabalho policial e o papel decisivo das diligências iniciais. Segundo ela, a apuração permitiu identificar rapidamente os autores das extorsões e localizar a arma utilizada pelo grupo, reforçando a importância da integração entre as forças de segurança.

Já o diretor do Departamento de Homicídios, delegado Mario Souza, afirmou que a atuação imediata após crimes dolosos contra a vida é uma diretriz do órgão. “A estratégia do Departamento de Homicídios é atuar fortemente assim que houver indícios de crime doloso contra a vida de qualquer cidadão. A investigação e a punição dos agressores são resultado de uma atuação exemplar da DHPP”, declarou.

A operação desmantela uma tentativa de consolidação territorial de uma facção em Canoas e evidencia como o homicídio foi usado como instrumento de coerção patrimonial, prática cada vez mais recorrente no avanço do crime organizado sobre imóveis urbanos.

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