— A cada dia que passa a vida nos ensina alguma coisa diferente. E os animais trazem para a gente muita coisa diferente do que as pessoas nos dão, como o amor incondicional que eles nos dedicam.
Foi com esta frase que o coordenador do Grupo de Operações com Cães (GOC) da Guarda Municipal de Gravataí, Felipe Gomes, abriu, na manhã desta sexta (18/11) uma palestra para um pequeno grupo de 13 alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Cônego João Cordeiro, na Fazenda Conceição, distrito de Morungava.
O encontro desta sexta teve uma tônica diferente, e em determinado momento, quando falou no que aconteceu, Felipe ficou com a voz embargada. É que o GOC perdeu no dia 13 o Rossi, um cão da raça Pastor Alemão que tinha seis anos e do qual o próprio GM Felipe foi um dos adestradores.
A perda foi sentida por todos do Grupo com Cães, o coordenador Felipe e mais oito condutores, além de outros integrantes da Guarda Municipal. Tanto que até uma cerimônia de sepultamento foi realizada com direito a caixão, coroa de flores e um discurso destacando as qualidades do animal. Com a morte de Rossi, o GOC ficou agora com nove cães.
Na página do GOC no Facebook foram postadas homenagens, vídeos do enterro de Rossi e várias fotos do cão com os GMs condutores. As postagens geraram inúmeros comentários, quase a totalidade lamentando a perda do animal que morreu por causa de uma torção estomacal, segundo o laudo do veterinário.
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A cerimônia de despedida de Rossi
Ensinamentos
Nas palestras que realizam nas escolas – em todas nas quais são convidados – o GM Felipe e seus colegas dão ênfase à prevenção contra as drogas, comportamento social, coleguismo, não violência e respeito aos animais. Também tão uma aula sobre cuidados com os animais e falam sobre como funciona o adestramento.
O GM Felipe é um adestrador reconhecido, tanto que em 2010 foi reconhecido como Destaque, pela Polícia do Exército, em Porto Alegre, durante o curso de adestramento de cães de guerra. E conta,. Com orgulho, que é detentor de vários títulos em competições de adestramento realizadas no estado e fora do Rio Grande do Sul.
O GOC, um “braço” da Guarda Municipal de Gravataí, pode ser visto em todos os grandes eventos da municipalidade. Os GMs e os cães também trabalham no apoio aos colegas da guarda na rua e em situações de busca às drogas, armamentos e pessoas desaparecidas ou marginais foragidos, e operam em situações de conflitos.
Centro das atenções
Na Escola Cônego João Cordeiro foram utilizadas as cadelas Maile (uma Pastor Belga de Molinois com cinco anos e meio) e Brigite (uma Labrador de seis anos e meio). Foram realizadas demonstrações de obediência, agilidade e do ataque de Maile em uma situação de abordagem a uma pessoa suspeita.
Brigite foi usada para demonstrar a capacidade de localização de drogas e armamentos, material previamente escondido pelos adestradores. Mas o centro das atenções e quase todos os carinhos foram para Maile, a Pastor Belga.
Quase todo o tempo sem a guia, a cadela percorreu o pátio da escola e interagiu com os alunos. O coordenador do GOC explicou que ela é uma cadela muito sociável e incapaz de morder uma criança ou qualquer pessoa, a menos que receba voz de comando para isso.

: A cadela Brigite é especialista na localização de drogas e armamentos
Cinco homens
Explicando que um animal bem treinado e empregado da forma correta em uma situação real vale por até cinco homens, Felipe diz que o adestramento deve iniciar quando o cão ainda é um filhote, e que ele só estará apto para o trabalho, geralmente, em toro dos dois anos e meio.
— Quando o animal é precoce e muito inteligente com dois anos já pode ser considerado pronto. Para o faro (cães farejadores) a partir dos dois anos de treinamento eles já estão preparados — conta Felipe Gomes.




: Sequência de fotos mostra obediência e adestramento de Maile, de cinco anos e meio
Mais curioso
O aluno Alisson da Silva, 10 anos, da quinta série, foi o mais curioso durante a palestra realizada pela manhã na escola – para a tarde estava prevista outra. Ele contou dos cães que tinha em casa, quis saber se era possível treiná-los, e se era possível encaminhá-los para adestramento no GOC.

: Alisson foi o mais curioso dos alunos e experimentou o ataque de Maile
Depois, Alisson ainda experimentou – protegido por uma luva especial que cobre todo o braço – uma situação de ataque da cadela Maile. O coordenador Felipe explicou que o GOC não faz adestramento de cães para pessoas da comunidade, apenas prepara os que utiliza nas suas operações.
A questão alimentar também foi enfatizada no encontro. Comida com o mínimo de sal possível, nada de chocolates nem açúcar aos animais, água potável sempre renovada em potes devidamente higienizados, e frutas no cardápio dos “melhores amigos do homem” sempre de acordo com o gosto deles.
E Felipe revelou:
— Quando fazemos o curso para ser adestrador, a gente bebe da mesma água que os cães vão beber. A gente come a mesma ração que é dada aos cães. Isso é para que a gente aprenda a dar o respeito que eles merecem por serem nossos companheiros, pela lealdade que eles têm com a gente ao ponto de dar a vida deles por nós.
Diretora
A diretora e professora Kátia Francia Morch da escola – que tem mais três professoras – foi quem pediu a palestra do GOC com os cães. Ao final do encontro da manhã ela era uma das mais entusiasmadas e posou para fotos com Maile e Brigite.
Kátia explicou que pediu a palestra como o objetivo de orientar os cerca de 40 estudantes do estabelecimento para a necessidade de se manter longe das drogas, para que recebessem noções de cidadania mas, principalmente, para que fossem orientados acerca do respeito e os cuidados que devem ter para com os animais.

: O Guarda Municipal Felipe Gomes é o coordenador do Grupo de Operações com Cães

: A professora e diretora da escola, Kátia Morch pediu a palestra realizada nesta sexta

: Ao final do encontro grupo de alunos, GMs do GOC e professores posaram para foto
No Facebook
Postagem do Grupamento de Operações com Cães da Guarda Municipal de Gravataí no dia em que Rossi morreu:
“Hoje não perdemos apenas um cão, mas sim um amigo. Sabe aquele amigo que você pode contar nos piores momentos? Onde você corre os maiores risco de morte? Ele esteve sempre junto e mais que isso, na frente.
Muito mais que colega o Rossi era um grande amigo, fiel e companheiro.
Todos do Grupamento sentimos muito essa irreparável perda, mas o nosso nobre colega e pai do Rossi está sentindo muito mais, Oficial GM Silveira.
Sabia trabalhar como ninguém, sempre atento a tudo, quando solicitado erá o primeiro a se mostrar bravio feroz, Farejador nato. Detalhista e convicto em seus atos.
Na VTR se mostrava habilidoso nas curvas e freadas.
Tinha o apelido de Gato Guerreiro.
Se todos tivessem a oportunidade de aprender um pouco com ele, com certeza seriamos melhores.
Vai deixar muitas saudades e boas lembranças.
Que Deus o tenha.”






