CRISE CLIMÁTICA

Após enchente histórica, Cachoeirinha aposta na ciência para enfrentar cheias

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) apresentou oficialmente o Projeto de Fortalecimento da Resiliência Territorial aos Riscos Hidrológicos no Município de Cachoeirinha/RS, iniciativa que pretende transformar a forma como a cidade enfrenta alagamentos, enxurradas e inundações.

O projeto começou a ser desenvolvido pelo Instituto de Geociências (IGEO) da UFRGS. em parceria com a Prefeitura Municipal e o Coletivo Mato do Júlio, após a enchente de 2024.

A proposta foi detalhada em dois encontros nesta segunda e quarta-feira: um voltado à comunidade, na Igreja Nossa Senhora da Boa Viagem, que reuniu mais de 180 moradores de bairros atingidos pela enchente; e outro na Câmara de Vereadores, com representantes do poder público municipal.

Coordenado pelo professor Nelson Gruber e com vice-coordenação da professora Lucimar Vieira, o projeto tem duração prevista de 12 meses e propõe a elaboração e implementação de um plano integrado de prevenção e mitigação de riscos hidrológicos.

Entre os principais eixos estão o Mapeamento de susceptibilidade e risco hidrológico, com uso de imagens de satélite, drones, análise de séries históricas de chuva e validação em campo; a Comunicação de risco, abordando a desinformação e seus impactos na percepção pública sobre desastres; e a Ciência cidadã e cartografia social participativa, com oficinas comunitárias para registrar o conhecimento local sobre pontos críticos, histórico de alagamentos e locais de abrigo.

O produto técnico inclui a elaboração de um Mapa de Risco Hidrológico Técnico-Participativo e a criação de um Sistema Comunitário Integrado de Alerta e Respostas a Desastres.

Plano vai além do diagnóstico

O projeto, intitulado “Além da Ponte – Prevenção e Ação Frente aos Riscos Hidrológicos”, prevê etapas que envolvem mobilização comunitária, diagnóstico técnico-científico, desenvolvimento de tecnologia de monitoramento, capacitação de lideranças e, ao final, entrega oficial de mapas, protocolos e de um Plano Comunitário de Gestão de Riscos.

A proposta também busca institucionalizar o plano junto à Defesa Civil e aos órgãos municipais, garantindo continuidade às ações.

Participaram da reunião na Câmara o coordenador da Defesa Civil, Éder Souza, representantes do órgão, a secretária da Saúde Cris Mesquita e o engenheiro Felipe Vargas, da Secretaria de Infraestrutura.

A iniciativa conta com financiamento do Governo Federal por meio de emenda parlamentar da deputada federal Maria do Rosário (PT). Também participaram das agendas o vereador Léo da Costa (PT) e a assessora parlamentar Adelaide Klein.

Resposta à enchente de 2024

A forte mobilização popular no encontro comunitário evidencia o impacto ainda recente da enchente de 2024. Moradores contribuíram com relatos sobre áreas mais vulneráveis, dificuldades enfrentadas durante o desastre e sugestões para melhorar a comunicação e o sistema de alerta.

Ao combinar conhecimento científico com a experiência vivida pela população, o projeto aposta na chamada resiliência territorial — conceito que envolve monitoramento contínuo, planejamento urbano adequado, educação comunitária e integração entre universidade, poder público e sociedade civil.

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