O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) acionou a Interpol para obter informações sobre o histórico do missionário norte-americano Dandre Jermaine Grayson, preso preventivamente após confessar ter espancado o próprio filho, de 3 anos, em Viamão. A criança, identificada como Oliver Golden Grayson, morreu na noite de quarta-feira (8) em decorrência das múltiplas lesões provocadas pelas agressões.
Segundo o Ministério Público, o objetivo é verificar se o norte-americano já era investigado por crimes ou possuía antecedentes relacionados à violência contra crianças nos Estados Unidos. Paralelamente, o órgão também solicitou informações às autoridades de São Paulo e Santa Catarina, estados por onde a família passou antes de se estabelecer no Rio Grande do Sul.
De acordo com a subprocuradora para Assuntos Institucionais do MPRS, Alessandra Moura Bastian da Cunha, a apuração busca identificar se havia registros policiais, investigações ou acompanhamentos da rede de proteção envolvendo a família.
O caso ocorreu no último domingo (5), no distrito de Águas Claras, em Viamão. Em depoimento à Polícia Civil, Dandre confessou que agrediu o filho porque o menino não lhe deu “bom dia”. Conforme a investigação, ele afirmou ter desferido socos no peito e no abdômen da criança e batido a cabeça do menino contra o chão.
Foi o próprio pai quem levou Oliver ao hospital. Ao constatar a gravidade dos ferimentos e as múltiplas lesões, a equipe médica acionou a Brigada Militar. O norte-americano foi preso em flagrante ainda na unidade de saúde.
Devido ao estado crítico, a criança foi transferida para um hospital de Porto Alegre. Na segunda-feira (6), durante audiência de custódia, a Justiça converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva. Oliver não resistiu aos ferimentos e morreu três dias depois.
A mãe da criança também foi presa nesta quinta-feira (9). O casal vivia no Brasil com outros quatro filhos.
MP investiga possível histórico de violência
Além de buscar informações junto à Interpol, o Ministério Público tenta reconstruir o histórico da família durante o período em que viveu no Brasil.
Segundo a subprocuradora, há indícios de que outras crianças também tenham sido vítimas de violência.
“Existem informações de agressões anteriores em relação às crianças, às três mais velhas. Está se solicitando prontuários médicos dos hospitais de todas as cidades pelas quais eles passaram, para que se verifique o tamanho dessa situação, que, por alguma razão, e provavelmente pelas mudanças frequentes, acabou não sendo trabalhada em toda a sua integralidade”, afirmou Alessandra Moura Bastian da Cunha.
O MP informou que solicitará os prontuários médicos das crianças em todas as cidades onde a família residiu para verificar se havia registros de atendimentos compatíveis com episódios de agressão.
Outra linha de investigação apura a possibilidade de um objeto ter sido utilizado durante o espancamento de Oliver. Segundo o órgão, essa hipótese ainda será esclarecida no decorrer das investigações.
Conforme o Ministério Público, a instituição somente tomou conhecimento do caso quando o menino deu entrada no hospital com graves ferimentos, no domingo (5). Até então, não havia sido acionada pelos órgãos da rede de proteção.
A Polícia Civil segue investigando o caso para apurar todas as circunstâncias da morte da criança e eventual responsabilização dos envolvidos.






