opinião

O cidadão que ’denunciou’ azuizinhos; pequenas e grandes corrupções

Arte de Pawel Kuczynski

As milícias do Grande Tribunal das Redes Sociais parecem bastante seletivas em relação à corrupção, não?

Aos políticos, resta a presunção de culpa até por, no calorão, roubar a umidade relativa do ar.

Aos heróis de estimação, como Sérgio Moro, sobra um pouquinho mais de compreensão por mudar de idéia sobre o caixa 2 ser ou não assassino de mãe, pais, crianças e idosos na fila do SUS.

Assisti em vários grupos de Facebook a um vídeo de cidadão filmando e constrangendo guardas de trânsito na 74, em Gravataí:

– Vou postar em 20 grupos e vocês não vão multar mais ninguém! – ameaçou e, acredito que tenha cumprido, já que recebi de três pessoas somente por WhatsApp.

Uma das críticas era que a viatura estava estacionada na rua de trás, sem o giroflex ligado, e os azuizinhos estavam na sombra, num dia em que os termômetros marcavam mais de 30 graus.

Muitos cidadãos de bem também vão às redes sociais avisar sobre blitzes, acreditam?

Quando ouço “cidade tal, cidade da multa”, fico pensando: se alguém é multado irregularmente, pode recorrer, não é? Mas se ultrapassou o limite de velocidade, identificado por placas pintadas com tinta reflexiva inclusive, acredito que aí não há o que fazer, porque a infração fica registrada em imagens, como diziam, Pedro e Luciana, com “qualidade de cinema”.

Pequenas ou grandes corrupções, grandes lances dos piores momentos, cada um submete ao outro seu grau de hipocrisia.

É aquela coisa, os errados ficaram no ontem, ou estão chegando amanhã, hoje somos todos pessoas ilibadas.

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