RAFAEL MARTINELLI

O ‘custo médicos cubanos’: Gravataí tenta evitar bancar 5 milhões ao ano

Régis Fonseca palestrando no 8º Congresso Norte-Nordeste de Secretarias Municipais de Saúde

Assim se faz política pública, não ideológica, Régis Fonseca!

O secretário da Saúde de Gravataí é hoje o representante do Rio Grande do Sul no Conselho Nacional de Representantes Estaduais (Conares), órgão vinculado ao Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), que debate pautas de âmbito nacional no SUS.

Nesta segunda-feira, no 8º Congresso Norte-Nordeste de Secretarias Municipais de Saúde, em Sergipe, enquanto metade do auditório vaiou, e outra aplaudiu o ministro Marcelo Queiroga, o secretário de Gravataí conseguiu do secretário de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde, Raphael Camara Medeiros Parente, a garantia de prorrogação da redistribuição de vagas do Médicos Pelo Brasil, substituto do governo Jair Bolsonaro para o Mais Médicos, que era o programa que admitia médicos cubanos.

Como antecipei ainda em junho, e desinformados, informados do mal ou sequestrados por seitas disseram ser fake news eleitoral, Gravataí perderia 17 médicos.

– A prorrogação ao menos nos permite tempo para nomear 120 aprovados no concurso público que abrimos – explica Régis, que de ‘petralha’ não tem nada; é o cara do vice-prefeito Dr. Levi (Republicanos) e apoiou Onyx Lorenzoni (PL) ao Governo do RS e Jair Bolsoanro (PL) à Presidência da República.

Se não for confirmada a promessa da prorrogação, dia 16 Gravataí perde médicos que atendem prioritariamente pobres na periferia.

Preocupado, o prefeito Luiz Zaffalon (MDB) também já enviou à Câmara de Vereadores um projeto de lei para autorizar a contratação emergencial dos aprovados no concurso, enquanto a documentação é processada pela Prefeitura.

Fato é que, se Régis tiver sucesso, Gravataí vai economizar R$ 5 milhões que gastaria a cada ano repondo metade dos 34 médicos hoje ligados ao programa.

Como a falta de médicos na atenção básica impacta nas urgências e emergência, seria um custo, não um caos, ao menos em Gravataí, porque o governo Luiz Zaffalon (MDB) tem equilíbrio nas contas, o que permitiria tanto contratações emergenciais, como ter aberto em agosto o concurso público para cargos na saúde municipal.

E ainda oferecendo salários mais altos que praticamente todas as prefeituras da região. O salário dos médicos de 40h foi ampliado, com aprovação da Câmara de Vereadores, de R$ 14 mil para R$ 17 mil, além de transformar a carreira em estatutária, um atrativo por aumentar o vínculo trabalhista com o município que fez o concurso público ‘bombar’.

– Hoje temos todas as equipes médicas completas – diz o secretário, que em maio enfrentou a crise da falta de pediatras, “já resolvida”; em julho a falta de 7 médicos na saúde da família, também suprida, e hoje comemora Gravataí liderando as 10 maiores cidades gaúchas no Previne Brasil, que avalia a atenção básica em saúde.

Hoje Gravataí tem 200 médicos, incluindo especialistas. Além de dois por plantão nas UPAs, um para noite no Hospital Dom João Becker e nove nas unidades básicas de saúde, há 57 equipes habilitadas na Estratégia de Saúde da Família (ESF)

A projeção dos gestores da saúde da Grande Porto Alegre é que, se o pedido de Régis não for atendido, a partir do dia 16, regiões metropolitanas percam até 60% dos profissionais, entre redução de vagas do programa e direcionamento para municípios do interior.

Com as mudanças na distribuição de vagas pelo Médicos Pelo Brasil, neste segundo semestre o número de profissionais encolhe de 1.323 para 1.103 em relação ao Mais Médicos. E já havia dificuldade de preencher um quarto das vagas.

Levantamento da Famurs também mostrou em abril que 75% das prefeituras gaúchas tinham carência de pelo menos um profissional em suas equipes médicas.

Ao fim, sou de um pragmatismo implacável na saúde: mais médicos é bom, menos médicos é ruim. Mas, se me permitem mexer com preconceitos ideológicos, sugiro perguntarem, nas vilas de Gravataí, como era ser atendido por médicos cubanos.

Só ouvi elogios.

Inegável é que, na mesinha simples do posto de saúde, importa muito o médico olhar nos olhos, fazer perguntas, sentir o cheiro da ferida do paciente.

Não vou provocar tanto, identificando nos cubanos mais vocação que nos brasileiros, até porque toda generalização é burra, mas a formação empírica desses profissionais está sempre a teste: com tantos embargos eles tem menos tecnologia e equipamento, além de menos acesso a remédios; resta ouvir, tentar diagnosticar e prevenir.

Muito Brasil, né?

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