Um nome até agora ausente das especulações pode estar começando a botar o bloco na rua para eleição suplementar de Cachoeirinha, marcada para 12 de abril: a vereadora Claudine Silveira (PP). Eleita em 2024 com 876 votos, advogada, Claudine é esposa do vice-prefeito cassado Delegado João Paulo Martins (PP).
E foi justamente uma postagem aparentemente despretensiosa, feita na sexta-feira, que acendeu o sinal amarelo — ou verde — no meio político.
Ao lado do marido, Claudine escreveu nas redes sociais: “Uma sexta-feira auspiciosa e um futuro que está começando, cuidando de Cachoeirinha para torná-la cada vez melhor! Fiquem com Deus!”
Sobre a imagem, um “SEXTOU!”.
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No ambiente político local, o “futuro que está começando” bastou. A leitura foi imediata: o lançamento informal de uma candidatura.
Embora a vereadora mantenha reservas públicas, a apuração do Seguinte: indica que Claudine deve concorrer à Prefeitura.
Diferentemente da esposa do prefeito cassado Cristian Wasem (MDB), Fabi Medeiros, Claudine não enfrenta impedimento jurídico para disputar a eleição suplementar.
A razão está na natureza do cargo exercido pelo cônjuge. O TSE entende que a eleição suplementar é continuação do mandato cassado, o que mantém a inelegibilidade reflexa para cônjuges do prefeito titular. Foi por isso que Fabi Medeiros ficou impedida; leia mais em Por que a esposa de Cristian não pode concorrer na eleição suplementar de Cachoeirinha.
No caso de Claudine, o cenário é outro. Delegado João Paulo não exerceu o cargo de prefeito nos seis meses anteriores à eleição regular, requisito constitucional para que a vedação alcance o cônjuge.
O próprio Ministério Público Eleitoral já analisou esse ponto ao arquivar denúncia que pedia a cassação do mandato da vereadora, entendimento que reforça sua elegibilidade plena; leia mais em MP arquiva pedido de cassação da vereadora Claudine Silveira, esposa do vice-prefeito de Cachoeirinha; a ‘loteria de toga’.
Ou seja: juridicamente, o caminho está aberto.
Uma candidatura que agrada à ferradura ideológica — de oposição
Do ponto de vista político, Claudine surge como um nome estratégico para a oposição à prefeita interina Jussara Caçapava (Avante), única candidatura já confirmada publicamente.
Sua eventual candidatura teria a capacidade rara de agradar os dois lados da ferradura ideológica. Reputo que, para a oposição, quanto mais candidaturas, destras ou canhotas, melhor.
Volto à pulverização de candidaturas na conclusão do artigo. Antes, vamos ao óbvio.
Para o eleitorado que apoiou Cristian, Claudine é um nome mais palatável do que alternativas já cogitadas, como David Almansa (PT) ou José Stédile (PSB).
Almansa, após a experiência eleitoral de 2024 — quando integrou uma aliança desastrosa com Dr. Rubinho (PSDB) e sofreu uma derrota de 7 a 1 nos votos válidos —, já admite colocar o nome à disposição.
Mas o faz assumidamente a partir de um perfil lulista e petista, o que dificulta a adesão de um eleitor conservador, ainda que Cristian já tenha sinalizado que não vetaria seu apoio.
Almansa, para quem não lembra, se manifestou publicamente contra o impeachment. Chamou de “golpe”, assim como prefeito e vice cassados; leia mais em “Cidade de faroeste”: Almansa critica sistema, mas diz não à cassação do prefeito em Cachoeirinha; a entrevista-bomba.
Stédile, por sua vez, apesar de hoje ocupar espaço mais ao centro — presidindo a Fase no governo Eduardo Leite (PSD) —, ainda carrega o peso simbólico do sobrenome.
Quando o Seguinte: revelou que ele cogitava a candidatura, as redes sociais rapidamente o associaram ao irmão João Pedro Stédile, líder do MST, mesmo sem convivência próxima entre ambos; leia mais em “Olhos brilhando”: ex-prefeito Stédile pode ser candidato de Cristian na eleição suplementar de Cachoeirinha.
Não faltaram também lembranças sobre o passado petista, mesmo tenha, como deputado federal, votado a favor do impeachment de Dilma, em 2016.
Esse passado que parte da esquerda remói como traição de Stédile, também pode representar um constrangimento para ser ele o candidato de Cristian: como chamar de “golpe” a cassação em Cachoeirinha, se foi voto favorável ao impeachment de Dilma?
Para piorar, em ambos os casos a perda de mandatos se deu por “pedaladas fiscais”.
A água no arroz de Jussara e o PL
Uma candidatura competitiva do PP também embaralha o plano de Jussara de compor com o PL, tendo o vereador Mano do Parque como vice para segurar o eleitorado conservador.
O problema é que o PP acaba de romper com o governo Eduardo Leite no Estado e se aproxima formalmente do PL, num movimento que deve resultar em uma chapa com Tenente-Coronel Zucco (PL) ao governo e o PP indicando o vice em 2026 — Celso Rigo, o ‘homem do arroz’, investidor do Grêmio e um dos maiores doadores da campanha de Jair Bolsonaro, é a ‘contratação dos sonhos’ do bolsonarismo gaúcho.
Nesse cenário, PP e PL estaduais podem operar contra uma aliança local com Jussara, que é do Avante, partido da base do governo Lula e historicamente alinhado ao PT no Rio Grande do Sul.
Além disso, mesmo que Jussara tente migrar para o PSD de Leite, convite que também foi revelado pelo Seguinte:, ainda não se sabe se o cronograma da eleição suplementar permitirá a troca de partido sem risco de inelegibilidade; leia mais em Jussara Caçapava — prefeita interina de Cachoeirinha — vai se filiar ao PSD de Leite; o ‘embaixador-cupido’.
Mantidas as regras da eleição ordinária, seriam necessários seis meses de filiação — prazo já findo.
Ainda que alianças locais nem sempre respeitem os arranjos estaduais, o contexto político pode pesar.
Pulverização ou plebiscito? — ou WO
Voltemos ao número de candidaturas.
Para Jussara, paradoxalmente, um cenário com apenas dois candidatos pode ser mais favorável — um plebiscito antecipado, mesmo sem segundo turno em Cachoeirinha.
Além de manter como apoiadores pelo menos 12 dos 14 vereadores que cassaram Cristian, e ter a força da Prefeitura e da entrega de obras enquanto prefeita interina, Jussara enfrentaria como candidatura única de oposição uma chapa MarxDonalds — exatamente a forma como apelidei a chapa Almansa e Rubinho: um petista sem-tirar- nem-por, outro que na eleição anterior foi a Pelotas só para roubar selfie com Bolsonaro.
Já para a oposição, a pulverização de candidaturas é estratégica.
Com histórico recente de instabilidade — quatro prefeitos em cinco anos —, o risco de abstenção elevada é real. Em uma eleição suplementar, traumática por natureza, muitos eleitores podem optar por pagar a multa simbólica de R$ 3 e não ir às urnas.
Nesse contexto, não é exagero projetar que o próximo prefeito ou prefeita possa ser eleito com menos de 20 mil votos. Em 2022, Cristian fez 47.364.
Ao fim, incluam o nome de Claudine nas pesquisas. É mais uma notícia exclusiva do Seguinte:.
Sua candidatura tem o potencial de reorganizar forças dos grupos de Cristian e Delegado, trazer Almansa de volta às urnas, tensionar alianças e, com isso, impedir que a eleição suplementar se resolva por inércia.
Até o momento, é um WO de Jussara.






