O story das últimas 24h é que o prefeito de Cachoeirinha Cristian Wasem (MDB) e o Delegado João Paulo Martins (PP) restam cassados.
Na noite desta sexta-feira (26), o vereador Edison Cordeiro (Republicanos), pastor e personagem central no cálculo dos votos do impeachment, apareceu em postagem em quadra de futebol confraternizando com a Família Caçapava, grupo político liderado pela presidente da Câmara, Jussara Caçapava (Avante), principal adversária do atual governo.
O registro foi publicado em formato de story pela vereadora Pricila Barra (Podemos), que já votou favoravelmente à admissibilidade dos dois pedidos de impeachment e é considerada voto certo pela cassação.
O encontro ocorreu poucas horas depois de o Seguinte: revelar que o diretório municipal do PT havia decidido fechar questão contra os impeachments — movimento que, em tese, colocaria Edison como o voto decisivo no plenário.
Leia mais em PT decide votar contra cassação de Cristian — e a oração muda de santo em Cachoeirinha.
Na política, coincidências existem. Mas raramente são inocentes.
O voto que mudou de altar
Até poucos dias atrás, Edison figurava no grupo que votou contra a admissibilidade dos processos, alimentando no governo a esperança do que batizei ‘Oração a São PT’: a soma dos dois votos petistas com os quatro contrários iniciais garantiria a sobrevivência de Cristian e Delegado.
A reportagem exclusiva publicada pelo Seguinte: na tarde da sexta analisou, porém, que a fé política cobra seu preço. Se o PT decidiu não cassar, o milagre produziu apostasia do outro lado.
A adesão de Edison à chapa de Jussara Caçapava na eleição da Mesa Diretora já havia acendido o alerta máximo no gabinete do prefeito. Agora, a imagem ao lado da Família Caçapava funciona como um ato simbólico de comunhão — e, nos bastidores, foi interpretada como praticamente a confirmação do voto favorável ao impeachment.
Fontes ouvidas pelo Seguinte: relatam que, após a publicação da matéria sobre a decisão do PT, interlocutores de Cristian ligaram insistentemente para Edison e para Pricila.
A vereadora atendeu e teria reafirmado o voto pela cassação. O pastor, segundo apuração convergente, ignorou mais de 20 ligações.
Silêncio também é linguagem.

A fotografia como profissão de fé
Na crise política de Cachoeirinha, a foto cumpre papel semelhante ao da parábola: não diz tudo explicitamente, mas aponta o caminho.
Edison não aparece ao acaso ao lado de quem será diretamente beneficiada pela queda do prefeito e do vice. Em caso de cassação, Jussara Caçapava assume o comando do Executivo até a realização de eleição suplementar.
A imagem, somada ao histórico recente — o discurso duro na eleição da Mesa, as metáforas bíblicas sobre compromissos rompidos, o afastamento progressivo do governo — reforça a leitura de que o voto decisivo mudou de altar.
Se a ‘Oração a São PT’ ainda sustenta alguma esperança no governo, a igreja do evangélico Edison segue sem santos — e, agora, com sinais claros de que o sermão final não será favorável a Cristian.
No plenário, o voto ainda não foi proclamado. Mas, na política, há momentos em que a liturgia antecede o sacramento.
E a fotografia já parece a confissão.
Se alguém ainda duvida, chama o VAR e dá um zoom na foto. A bola está com Edison. E o campeonato pode terminar ainda em 2025.






