Gravataí entrou no mapa de uma ofensiva nacional contra o crime organizado. A Polícia Civil do Rio Grande do Sul confirmou que o município foi um dos pontos da Operação Redecarga, ação integrada que mobilizou forças de segurança em 16 estados brasileiros para combater quadrilhas especializadas em roubos e furtos de cargas.
Coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, a operação teve desdobramentos diretos na Região Metropolitana — com prisões realizadas em Gravataí e em Porto Alegre.
A atuação na região foi conduzida pela Delegacia de Repressão ao Roubo e Furto de Cargas (DRFC/DEIC), que identificou um grupo criminoso responsável por ao menos quatro grandes roubos desde outubro de 2025, com foco principalmente em cargas alimentícias.
Segundo a investigação, a organização operava de forma estruturada, com divisão clara de funções: batedores, executores e responsáveis por armazenar os produtos em depósitos clandestinos.
As prisões realizadas incluem suspeitos com histórico criminal relevante, com passagens por crimes como homicídio, tráfico de drogas e roubo qualificado.
Como agia o grupo
As diligências apontam que os criminosos utilizavam veículos clonados para dificultar a identificação e bloqueadores de sinal para neutralizar sistemas de rastreamento dos caminhões — uma estratégia que evidencia o nível de sofisticação das ações.
A atuação ocorria principalmente em rodovias e áreas logísticas, o que reforça a preocupação com a segurança de cargas que circulam pela Região Metropolitana.
Além das ações na região de Gravataí, a operação teve uma frente no município de Uruguaiana, onde mandados de busca e apreensão levaram à identificação de um suspeito envolvido no roubo de uma carga de lençóis avaliada em R$ 500 mil, ocorrido em julho de 2025.
No total, no Rio Grande do Sul, foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão.
A Operação Redecarga tem como objetivo desarticular organizações que causam prejuízos milionários ao setor produtivo e impactam diretamente a cadeia logística do país.
A ofensiva também busca ampliar a integração entre estados e fortalecer a capacidade de resposta das forças de segurança diante de um tipo de crime que vem se sofisticando nos últimos anos.
Para Gravataí, a operação expõe um dado relevante: a cidade, pela sua localização estratégica e conexão com importantes corredores logísticos, também se torna alvo — e, agora, palco — do combate a esse tipo de organização criminosa.






