POLÍTICA

Plano de fuga de Flávio Bolsonaro nos EUA foi articulado semanas antes do 2º turno; entenda

Foto: redes sociais

O plano para que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixasse o Brasil acompanhado de sua família começou a ser articulado semanas antes do segundo turno das eleições presidenciais, segundo informações reveladas nesta quarta-feira (28) pela coluna de Bela Megale, no jornal O Globo. A estratégia de deixar o país e buscar refúgio nos Estados Unidos vinha sendo desenhada de forma preventiva caso o parlamentar fosse derrotado nas urnas por Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Conforme a publicação de O Globo, o principal articulador da operação foi o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que reside nos Estados Unidos. As tratativas envolveram conversas com o comentarista Paulo Figueiredo e interlocutores no governo do presidente norte-americano Donald Trump.

A revelação do planejamento antecipado se confirma com a chegada de Flávio aos EUA hoje.

De acordo com reportagem do ICL Notícias (com informações da Folhapress), assinada por Natasha Bin, o senador pousou no Aeroporto Executivo de Miami-Opa Locka, na Flórida, às 10h23 (horário de Brasília).

Flávio viajava acompanhado de sua esposa, Fernanda Bolsonaro, e de suas duas filhas. O grupo desembarcou minutos após o pouso de um jato privado modelo Gulfstream G400, de matrícula argentina LV-JQW, operado pela empresa Baires Fly S.A.

A família cruzou a fronteira de carro pela Ponte Internacional Tancredo Neves, entre Foz do Iguaçu (PR) e Puerto Iguazú (Argentina), às 22h50 de terça-feira (27). Como a Polícia Federal não realiza controle ativo de saída de brasileiros em fronteiras terrestres secas, o grupo passou sem impedimentos.

Flávio usou um passaporte italiano para entrar no país vizinho, enquanto a esposa e as filhas apresentaram documentos brasileiros.

Da Argentina, a família embarcou em um voo privado rumo a Guayaquil, no Equador, onde fez escala técnica por volta das 6h de quarta-feira antes de seguir para a Flórida. A rota evitou o espaço aéreo brasileiro.

Apoio dos EUA, declarações desmentidas e crimes investigados

Eduardo Bolsonaro viajou para a Flórida para receber o irmão, conforme fontes citadas por O Globo. O Departamento de Estado dos EUA confirmou que concederá vistos de permanência a Flávio e seus familiares. O presidente Donald Trump também declarou publicamente que aprovava a entrada do parlamentar nos EUA.

A confirmação da fuga contradiz declarações públicas do próprio senador. Na segunda-feira (26), após ter seus passaportes cancelados por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio publicou um vídeo em que negava intenção de deixar o país e afirmava que permaneceria no Brasil liderando a oposição.

Paulo Figueiredo afirmou que o senador fará uma transmissão ao vivo e concederá entrevista coletiva na quinta-feira (29) para explicar sua saída.

A operação de saída ocorreu em meio ao cerco de investigações no STF. Segundo levantamento detalhado pela Agência Pública (em reportagens de Thiago Domenici e Maria Martha Bruno), o senador é alvo de dois inquéritos sob relatoria dos ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes: Financiamento do filme “Dark Horse” (Investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção passiva/ativa e organização criminosa por repasses milionários e remessas internacionais ligadas ao empresário Daniel Vorcaro) e Casas de Apostas e Operações Financeiras (Apuração de lavagem de dinheiro e evasão de divisas ligadas ao advogado Willer Tomaz. A PF identificou e-mails que apontam Flávio como “usuário master” de conta bancária de empresa vinculada a plataformas de apostas (bets) da Loterj).

Além disso, com o encerramento do seu mandato no Senado em 31 de janeiro de 2027, Flávio perderá o foro privilegiado, o que faria com que seus processos tramitassem na primeira instância da Justiça Federal.

Ao deixar o país sem entregar seus documentos estrangeiros à Polícia Federal, o senador também descumpriu a ordem cautelar determinada pelo STF no dia 25 de outubro, configurando crime de desobediência e motivando representações judiciais para que seja acionada a Interpol.

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