SEGURANÇA

Suspeito de captar R$ 1,1 milhão em esquema financeiro ilegal é preso em operação que liga região à guerra da Ucrânia

A Polícia Civil deflagrou na quarta-feira (17) a Operação Mercenarius, que investiga um esquema de estelionato envolvendo falsos investimentos e prejuízo superior a R$ 1,1 milhão para pelo menos 20 vítimas na Região Metropolitana de Porto Alegre.

A ação, conduzida pela 4ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre, resultou no cumprimento de um mandado de prisão preventiva, mandados de busca e apreensão e medidas judiciais para bloqueio, indisponibilidade e sequestro de bens, valores e criptoativos do principal investigado.

Segundo a Polícia Civil, o nome da operação faz referência às apurações que indicam que o suspeito teria deixado o Brasil para atuar como mercenário no conflito armado da Ucrânia após o encerramento das atividades das empresas utilizadas para captar recursos de investidores.

De acordo com a investigação, as vítimas foram atraídas por promessas de rentabilidade acima da média do mercado financeiro. Os investimentos eram oferecidos por empresas administradas pelo investigado e frequentemente chegavam a novos clientes por meio de indicações entre familiares, amigos e conhecidos.

Os valores eram depositados tanto em contas das empresas quanto em conta bancária de titularidade pessoal do suspeito.

Conforme a polícia, após captar os recursos, ele teria encerrado as atividades das empresas sem devolver os valores aos investidores e deixado o país. Durante esse período, informou às vítimas que estava na Ucrânia. A investigação concluiu que ele efetivamente viajou para o país europeu e teria se engajado no conflito armado antes de retornar ao Brasil.

As apurações também identificaram que parte das vítimas passou a sofrer ameaças após cobrar a devolução dos valores investidos.

Segundo a Polícia Civil, as intimidações teriam sido realizadas por uma terceira pessoa contratada especificamente para essa finalidade, a mando do investigado.

Os contatos teriam sido feitos diretamente com familiares das vítimas, incluindo um menor de idade.

Durante a investigação, os policiais reuniram contratos, comprovantes de transferências bancárias, conteúdos digitais e dados telemáticos que apontariam a estrutura utilizada para captar os recursos e movimentar os valores obtidos no esquema.

Esses elementos serviram de base para os pedidos de bloqueio patrimonial deferidos pela Justiça.

CAC e apreensão de arma

A investigação também apurou que o suspeito possui registro como Caçador, Atirador e Colecionador (CAC) e já havia sido preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo.

Outro fato que chamou a atenção dos investigadores ocorreu na noite de terça-feira (16), quando uma arma registrada em nome do investigado foi apreendida pela Brigada Militar no bairro Jardim Algarve, em Alvorada.

O armamento estava em poder de dois criminosos, segundo a polícia.

A Justiça autorizou, além da prisão preventiva, buscas contra o investigado, sua esposa e empresas vinculadas ao casal.

Também foram determinadas medidas de bloqueio e indisponibilidade de contas bancárias, aplicações financeiras, veículos e criptoativos até o limite aproximado do prejuízo identificado na investigação.

Os envolvidos poderão responder pelos crimes de estelionato qualificado por fraude eletrônica, ameaça e posse irregular de arma de fogo, sem prejuízo de eventual responsabilização por lavagem de dinheiro.

Para o delegado Gabriel Lourenço, titular da 4ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre, o caso demonstra uma tendência de sofisticação dos golpes financeiros.

“Esquemas de falsos investimentos têm se tornado cada vez mais sofisticados e, neste caso, também violentos, com ameaças contra vítimas e seus familiares para inibir a busca por reparação. A Polícia Civil seguirá atuando de forma incisiva na responsabilização dos envolvidos e na recuperação dos valores desviados”, afirmou.

A Polícia Civil orienta que pessoas que acreditam ter sido vítimas de esquemas semelhantes procurem uma delegacia para registrar ocorrência e colaborar com as investigações.

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