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Quando o baralho é genial, todos na mesa ganham

“Quem não gosta de cartas / bom sujeito não é não / ou é ruim da cabeça / ou doente da mão.” (Que o cantor e compositor Dorival Caymi nos perdoe a paródia do Samba da Minha Terra, mas se gostava de jogatina no pano verde compreenderia)

 

A tendência é crescente:  já não acontece tanto carteado em casa como antes. Famílias e amigos se divertem menos com baralho, faltam parceiros e sobram mesas vazias. Mas calma, pessoal, falta muito pra jogatina acabar. Seja pôquer ou truco, buraco ou pife-pafe, escova ou pontinho, burro ou rouba-monte, não importa: pra esses e tantos outros jogos ainda há zilhões de jogadores, e baralhos maravilhosos passam de mão em mão. O SEGUINTE: selecionou quatro baralhos que aumentam o prazer de jogar.

 

Baralho Gaudério: outra graça do Santiago

 

 

Esse baralho de truco, que valoriza a cultura gaúcha, foi criado pelo famoso cartunista e a piada começa por aí: o criador confessa que não joga nada, não conhece jogo nenhum, faz questão de perder pro jogo acabar logo. Na verdade, é um projeto entre amigos: Airton Cattani, colega do desenhista na faculdade de arquitetura, sugeriu que o Santiago agauchasse as estampas do tradicional baralho espanhol.

 

 

Excelente ilustrador regionalista que é, Santiago desenvolveu os 40 primorosos desenhos, o publicitário Gustavo Portela definiu o design das cartas, e tava feito o carreto. Desde que o Baralho Gaudério foi lançado em 2014, o truco não é mais o mesmo no RS: as cartas agradaram em cheio nos bolichos dos pampas. Atraem o povaréu, reforçam a rivalidade, estimulam o alarido no jogo, acirram os desafios.

 

 

Para conhecer detalhes do Baralho Gaudério, acesse o site oficialPara ver o Santiago divulgando o Baralho Gaudério, acesse o Youtube.

 

Baralho Molina Campos:

 

 

Molina Campos (1891-1959) retratou o gaúcho argentino com graça genuína. Em seus célebres desenhos a guache, Molina registra as lides no pampa, numa visão idealizada dos costumes campeiros. Entre tantas cenas, não faltam jogos: carteado, jogo do osso, rinha. Natural que virasse baralho criollo, especial pros jogadores de truque, o truco de los hermanos. Dos baralhos com conteúdo artístico, é um dos mais originais.

 

 

 

O Baralho Molina Campos está disponível, com outros produtos da marca, nas lojas argentinas de souvernirs. Esse traço marcante ganhou o mundo em 1931, através do calendário Alpargatas S. A. A partir do sucesso, em 1942 Molina virou assistente dos estúdios Disney para Bambi. Seu estilo aparece nos animais e na floresta, inspirada na Ilha Victória, do lago Nahuel Huapi. Até meados dos 50s, participou de 5 animações.

 

 

Para conhecer a arte de Molina Campos (122 imagens), acesse o site da Fundación Molina CamposPara saber mais sobre a arte e a trajetória de Molina Campos, acesse a Wikipédia.

 

Baralho Don Quixote: nunca se viu tanta elegância

 

 

No ano que celebra os 400 anos da morte de Cervantes, este elegantíssimo baralho é mais uma entre as tantas homenagens ao genial criador do cavaleiro de triste figura. Como o baralho chegou à Europa no séc XIV, é certo que Cervantes carteava. A prova não aparece no Quixote e sim numa das Novelas Exemplares, a terceira: Riconete e Cortadillo, com jogos, trapaças e uma aposta envolvendo um burro. (Gracias ao Ernani Ssó, tradutor do Dom Quixote pro português,meu assessor para assuntos em espanhol)

 

 

 

Serão dois baralhos, um por volume. O primeiro traz os excêntricos e memoráveis personagens centrais do romance. Pra projetar o baralho, muita pesquisa em livros e antigas gravuras, com a pretensão de criar algo único. Conseguiram: o design é belíssimo, visualização perfeita pro jogo. As ilustrações das cartas permitem a quem joga revisitar os personagens que Don Quixote se envolve durante sua primeira viagem como um Cavaleiro Errante por toda a Espanha. Baralho de luxo, tiragem imitada.

 

Para ter informações e detalhes do baralho Don Quixote, acesse o site do revendedor e o site do fabricante.

 

Baralho Tony Meeuwissen: o mais bonito do mundo

 

 

O cara que fez a obra-prima entre os baralhos fez outras em muitas áreas gráficas. Tony Meeuwissen criou coleções de selos (fez o mais belo do mundo), clássicas capas da Penguin, capas de discos (Rolling Stones, inclusive), livros infantis que levava anos a elaborar. Por 5 décadas foi um criador, designer e ilustrador excepcional para editoras e agências. Gênio, seus pares reconhecem. E nunca teve estudo formal, muito menos belas artes. E tudo que desenhou foi no ofício de mão e olho, sem recursos digitais!

 

 

 

Este baralho é considerado um projeto épico: o artista passou três anos trabalhando em suas próprias ilustrações. Pelas cartas, visualmente lúdicas, se sente a imaginação fervilhante de Tony Meeuwissen. Do baralho derivou o livro A Chave Para o Reino, que é um guia divertido e estimulante sobre as origens e a transformação do baralho na Europa. Livro e baralho são celebrados até por quem não joga nada. Aliás, precisa ter coragem para estragar essas belezuras numa mesa. Baralho, objeto de desejo.

 

 

Para admirar em tamanho natural o maravilhoso baralho de Tony Meeuwissen, acesse o site DxpoPara saber mais sobre a criação e a trajetória de Tony Meeuwissen, acesse Creative ViewPara conhecer o livro A Chave Para o Reino de Tony Meeuwissen e seu baralho, acesse Amazon.

 

 

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