CARNAVAL 2026

Onça Negra toma a rua e mostra força rumo ao bicampeonato

Foto: Tiago Cechinel

A rua virou passarela. A comunidade virou espetáculo. A Acadêmicos de Gravataí realizou neste domingo (22), no bairro Morada do Vale I, o último ensaio de rua antes do desfile no Grupo Especial do Carnaval de Porto Alegre. E não foi apenas ensaio. Foi demonstração de força.

Mais de mil integrantes ocuparam a via. Alas completas, bateria pulsando, harmonia afinada. No entorno, um grande público acompanhava cada passo. A Onça Negra não ensaiou — tomou a rua.

A presidenta Rita Bitencourt abriu a noite com discurso direto: o desfile deste ano é movido pela superação.

A escola enfrentou um obstáculo significativo após a Prefeitura de Porto Alegre cancelar o repasse de recursos às agremiações da região metropolitana. Em meio às dificuldades financeiras, a resposta veio da comunidade.

Segundo Rita, a busca pelo título ganhou novo significado. Não é apenas competição. É afirmação. É honra.

A aldeia encantada da Onça

O intérprete oficial Lú Astral puxou o samba-enredo que embalará a escola na avenida:
“Táwapayêra – A Aldeia Guardiã dos Encantos da Floresta!”.

O enredo, desenvolvido pelo carnavalesco Rafael Saraiva, propõe uma imersão na mística de uma aldeia encantada, celebrando a força ancestral, os mistérios e a resistência da Floresta Amazônica.

A obra é assinada por Arlindinho Cruz, filho de Arlindo Cruz, em parceria com Evandro Bocão. O samba conduziu a comunidade em coro potente — daqueles que fazem o ensaio soar como desfile oficial. Havia emoção, confiança e pertencimento.

A Acadêmicos de Gravataí será a segunda escola a desfilar no Grupo Especial do Carnaval de Porto Alegre, no sábado (28), a partir da 1h20.

Primeira agremiação da região metropolitana a conquistar o título do Carnaval da Capital no Grupo Especial, a Onça Negra chega novamente como candidata ao campeonato.

Leva para a avenida mais do que alegorias e fantasias. Leva a história de Gravataí, a força da periferia e a resposta de uma comunidade que, diante do corte de recursos, decidiu ampliar a voz.

No Morada do Vale, a mensagem foi que a Onça não entra na avenida para participar. Entra para disputar. E, se depender do que se viu na rua neste domingo, entra com confiança de quem já aprendeu a transformar dificuldade em combustível.

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