SEGURANÇA

Operação da PF contra tortura de crianças e maus-tratos a animais prende suspeito em Canoas; vídeos eram vendidos na internet

Um homem foi preso em Canoas, na Região Metropolitana, durante a Operação Contra Barbariem, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (2). A ofensiva investiga uma organização suspeita de praticar tortura contra crianças, incluindo bebês, além de maus-tratos a animais, com registros em vídeo que, segundo a investigação, eram compartilhados e até comercializados pela internet.

Ao todo, a Polícia Federal cumpriu nove mandados de prisão preventiva e 12 mandados de busca e apreensão nos municípios de Bagé, Candiota e Canoas, por determinação da 2ª Vara Criminal da Comarca de Bagé.

Segundo a PF, a operação busca interromper a continuidade dos crimes, identificar outras possíveis vítimas e reunir provas para esclarecer a dinâmica dos fatos e a eventual venda dos registros audiovisuais.

As investigações apontam indícios de sucessivos episódios de violência física e psicológica contra pessoas em situação de vulnerabilidade, entre elas bebês, crianças e animais domésticos. Parte dos crimes teria ocorrido em Bagé, onde os atos também teriam sido filmados e posteriormente compartilhados por meios digitais.

Conforme a Polícia Federal, os investigados desempenhavam diferentes funções dentro da organização, incluindo a produção e o compartilhamento das imagens.

Os suspeitos poderão responder, conforme o grau de participação de cada um, pelos crimes de tortura contra crianças e adolescentes, maus-tratos a animais e organização criminosa.

Vídeos mostravam tortura deliberada

Em entrevista à GZH, o delegado da Polícia Federal em Bagé, Ronaldo Reis, afirmou que as gravações retratavam atos extremos de violência, sem motivação sexual.

“Os vídeos eram de tortura deliberada, asfixia, sufocamento, esse tipo de coisa. Não tinham cunho sexual”, afirmou o delegado em reportagem assinada pelos jornalistas Gabriel Veríssimo e Felipe Valduga.

Segundo a investigação, o material começou a ser apurado após ser encontrado durante a análise do telefone celular de um investigado em outro inquérito policial. De acordo com a PF, tratou-se de um encontro fortuito de provas, que deu origem à nova investigação.

As apurações indicam que a maior parte dos vídeos foi produzida entre abril e agosto de 2025, principalmente em Bagé.

Ainda conforme o delegado, a Polícia Federal investiga a comercialização do conteúdo, que circulava em aplicativos de mensagens e plataformas de vídeos, como Telegram e Bigo. A corporação busca agora identificar compradores das imagens e possíveis grupos organizados, no Brasil e no exterior.

Outro dado revelado pela investigação é que parte dos suspeitos possuía vínculo familiar com as vítimas. Em pelo menos um dos casos, o investigado é pai de uma das crianças submetidas às agressões.

Dois presos são militares do Exército

A GZH também informou que dois dos nove presos são militares do Exército Brasileiro que prestavam serviço militar obrigatório em Bagé. A informação foi confirmada pelo Exército à reportagem do jornalista Douglas Dutra.

Em nota, o Exército afirmou que os militares não estavam em serviço quando ocorreram os fatos investigados e que os episódios teriam acontecido em contexto estritamente particular, sem relação com atividades militares.

A instituição informou ainda que irá colaborar integralmente com as investigações da Polícia Federal e instaurará procedimentos administrativos internos para apurar a conduta dos envolvidos.

Conforme a Polícia Federal, sete mandados de prisão foram cumpridos em Bagé, um em Candiota e um em Canoas.

As investigações prosseguem para identificar novas vítimas, eventuais participantes da produção dos vídeos e pessoas que adquiriram o material ilícito pela internet.

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