SEGURANÇA

Como operação contra esquema internacional de falsos investimentos prendeu morador do Alphaville, em Gravataí; idosa perdeu R$ 37 milhões

Um morador do Alphaville, condomíni de alto padrão em Gravataí, foi preso preventivamente na quinta-feira (13) durante uma operação da Polícia Civil que investiga uma organização criminosa suspeita de aplicar golpes milionários por meio de falsas plataformas de investimentos.

A ação, denominada Operação Criptoabate, apura uma fraude que teria causado um prejuízo de mais de R$ 37 milhões a uma idosa de 70 anos, no Rio Grande do Sul. Segundo a investigação, a vítima foi convencida durante meses a realizar sucessivos depósitos em uma plataforma que simulava investimentos e apresentava supostos rendimentos elevados.

O mandado de prisão contra o suspeito foi cumprido no condomínio. Conforme a polícia, ele é proprietário de uma empresa com sede em Porto Alegre que atuaria como correspondente de instituições financeiras. O nome da empresa não foi divulgado.

Ainda segundo a investigação, o homem possui antecedentes por crimes como estelionato, associação criminosa, receptação, uso de documento falso e furto qualificado.

De acordo com a Polícia Civil, a idosa foi inserida em grupos de mensagens que simulavam comunidades legítimas voltadas ao estudo do mercado financeiro e de investimentos.

Nos grupos, supostos especialistas, assistentes e outros participantes interagiam de maneira coordenada para transmitir uma aparência de profissionalismo e segurança. A vítima recebia análises de mercado, orientações financeiras e informações sobre resultados aparentemente positivos.

A estratégia é conhecida internacionalmente como “pig butchering”, expressão que pode ser traduzida como “golpe do abate de porcos”. Nesse tipo de fraude, os criminosos estabelecem gradualmente uma relação de confiança com a vítima antes de convencê-la a transferir valores cada vez maiores.

Segundo a investigação, a aposentada passou cerca de seis meses recebendo orientações de um suposto professor em um grupo de WhatsApp. Convencida de que os investimentos estavam gerando lucro, ela aumentou progressivamente os valores aplicados.

O golpe teria sido descoberto quando a vítima tentou retirar o dinheiro da plataforma.

Segundo a polícia, os saques foram bloqueados. Na sequência, os criminosos passaram a cobrar novos valores sob justificativas como pagamento de taxas, impostos ou outras quantias necessárias para liberar o patrimônio.

A cada transferência, uma nova cobrança era apresentada. Na tentativa de recuperar o dinheiro que acreditava ter investido, a vítima continuava realizando pagamentos.

A Polícia Civil identificou pelo menos 140 potenciais vítimas inseridas em ambientes digitais relacionados à mesma dinâmica criminosa.

A investigação aponta ainda que o grupo teria realizado movimentações financeiras suspeitas superiores a R$ 30 bilhões.

Entre os investigados estão empresários, dois estrangeiros, proprietários de instituições financeiras e uma gerente de uma instituição financeira tradicional de grande credibilidade nacional e internacional, segundo a Polícia Civil.

Ao todo, a operação cumpre 10 mandados de prisão preventiva, 16 mandados de busca e apreensão e medidas cautelares diversas da prisão. As ações ocorrem no Rio Grande do Sul e em São Paulo, incluindo Gravataí, além de cidades como São Paulo e Santos.

No total, 18 pessoas são alvo da investigação.

Polícia alerta para sinais de golpe

A Polícia Civil orienta que a população desconfie de promessas de rentabilidade muito acima do mercado e de plataformas de investimentos que não apresentem credenciais verificáveis.

Outro sinal de alerta é a exigência de novos depósitos para liberar valores que, supostamente, já estariam investidos.

A recomendação é não realizar transferências adicionais diante desse tipo de cobrança e verificar, por canais oficiais, a existência e a regularidade das empresas e plataformas antes de investir.

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