CULTURA

Canoense Alex Domingues apresenta a exposição “Noite de Temporal” na Cinemateca Capitólio

Alex Domingues. Foto de Edson Filho.

“Noite de Temporal” é a segunda exposição individual do jovem artista canoense. Alex Domingues é artista visual, cineasta e produtor cultural, graduado em Artes Visuais na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Desde 2018, está à frente da produtora O Estranho e tem transitado entre o cinema e as artes visuais.

Com oito curtas lançados e o primeiro longa-metragem “M.U.S.A” com previsão de lançamento para o final de 2026, Alex reflete sobre as múltiplas linguagens presentes em sua trajetória, que acabaram sendo essenciais para a formatação do projeto.

De acordo com o artista: “Noite de Temporal é o meu trabalho como artista visual que mais se baseou na minha bagagem no cinema. Meu objetivo era construir um projeto que utilizasse a minha trajetória em ambos os campos. Acabei, na verdade, descobrindo que a fragmentação, aliada com a repetição de uma mesma tomada, abre diversas novas possibilidades para a construção de loopings. Para todas as cenas, com exceção de “Os sonhos são tão importantes quanto a vida desperta”, única com diálogo, meu processo de direção de elenco foi de construir uma partitura de movimento que começaria e terminaria em uma “Posição 0”. Quando expliquei isso em uma conversa com a atriz Andressa Matos, ela disse sentir que o processo se assemelhava a de uma coreografia de dança. Não havia pensado nisso, mas por coincidência, Noite de Temporal também foi a minha primeira vez realizando uma videodança. Tanto que “Dançar ao som do trovão” foi selecionada para o Festival Internacional de Dança, Vídeo e Tecnologia da Unicamp, em São Paulo”.

Gravado em março de 2026, em Canoas e Porto Alegre, o elenco é formado por Andressa Matos, Beatriz Martini, Bruno Krieger, Leandro Schirmer e Renata de Lélis. Na obra, a temporalidade assume um aspecto ambíguo. Como se a ruptura com o tempo linear fosse utilizada para reforçar a oscilação permanente entre estados, como o sono e a vigília, a decisão e indecisão, e o começo e fim. Uma ambiguidade que nunca se resolve, assim como a própria gravura que inspirou todo o processo, que se alterna indefinidamente entre o pato e o coelho, nunca permitindo a quem observa sentir certeza sobre o que está vendo. As cenas que formam a obra são: Gritar, gritar e ninguém escutar (5’47”); Dormir com um olho aberto (8’11”); Dançar ao som do trovão (6’42”); Volto logo (5’10”); Tentar, tentar e não sair do lugar (5’47”) As sombras também são fantoches (3’17”); Os sonhos são tão importantes quanto a vida desperta (13’35”); Já fez sua escolha? (4’11”); Uma gota que cai (5’40”); e Espelho embaçado de vapor (8’6″).

Um filme fragmentado em dez telas. Foto still por Lui Apollo

A exposição conta com apoio da Cinemateca Capitólio, Câmera Care, Loca Lúmen, Locall, Metropolitano RS – Ecossistema Audiovisual, Vesper, Bar e Restaurante Vinte e Quatro e Casa das Artes Villa Mimosa. Projeto contemplado com o Concurso de Produção Artística – Secretaria Municipal de Cultura – FUMPROARTE – 2025. A ficha técnica do projeto conta com produção do Instituto Tórus, produção audiovisual da produtora O Estranho e produção executiva por Isadora Müller. A expografia é de Gabriela Fröhlich e a montagem de Klaus Kellermann. O design visual é de Ítalo Teixeira, gestão de comunicação de Laura Yang e assessoria de Imprensa por Wender Zanon. A acessibilidade é de Valentina Cherubini e a audiodescrição de Bruno Krieger. A direção de fotografia e colorização são assinadas por Lui Apollo. Já o desenho de Som, mixagem e som direto são assinadas por Marcelo Armani. Na direção de arte Julia Trespalier e na direção de produção Bruno Krieger. Assistência de direção de Léo Moura, 1a assistência de câmera Lorenzo Telles, 2a Assistência de Câmera Helen Marquat, fotografia still por Edson Filho, na assistência de arte Isabel Sheridan, caracterização por Juliane Senna, microfonista Diego Bertini, assistência de som Liane Strapazzon, e na elétrica e maquinaria Bianka Weber, Bruna Dahmer e Dudu Careca

A produção da obra audiovisual e curadoria da exposição são assinadas pelo Instituto Cultural Tórus, de Laura Cattani e Munir Klamt, ambos artistas, curadores e pesquisadores. Laura Cattani é graduada em Artes Cênicas pelo DAD/UFRGS, mestre e doutora em Poéticas Visuais pelo PPGAV-IA-UFRGS. Munir Klamt é bacharel em Pintura pelo Instituto de artes UFRGS, mestre e doutor em Poéticas Visuais pela mesma instituição, realizou pós-doutorado no PPGAV-UnB, é professor na UFRGS. Engajados em criar formas de colaboração e valorização da produção artística, são idealizadores do coletivo, uma plataforma de projetos em arte contemporânea, como forma de integrar experiências de imersão e compartilhamento artístico; e Arquipélago 2020, um espaço online de compartilhamento de processos criativos durante a pandemia. Ambos trabalham e vivem juntos e Ío é seu alter ego feminino, a entidade que assina as obras. Desde sua criação em 2003, a Ío tem realizado obras e exposições que nascem de reflexões abarcando temas que vão desde as paixões humanas aos crimes contra o patrimônio artístico, passando por questões sociais e de gênero, linguística, física, biologia e mitologia. 

Mais informações sobre o artista

Para 2026, além do lançamento do longa-metragem “M.U.S.A”, o artista foi um dos selecionados para o Projeto Potência pela Galeria Ecarta.

Em 2025, teve sua primeira exposição individual Villa-Domingues em 2025, com curadoria de Bruna Fetter. Participou de exposições coletivas pelo Brasil e mundo, como a Flicker/draft (Folkestone, Inglaterra, 2026), Utopia Cuir (Espaço UM55, São Paulo, 2026), Panorama 7 (Funarte MG, 2026), Mostra de Videoarte Ciclos (CCCRJ, 2024) e FAC – Festival Audiovisual de Cultura (Santa Bárbara, MG, 2023). No Rio Grande do Sul, participou de Dedos Cruzados, na Casa de Cultura Mario Quintana, e Nem Tudo é Azul, na Pinacoteca Rubem Berta, entre outras.

Assina a produção executiva de diversos projetos, desde curtas-metragens a outros formatos artísticos, como artes visuais, música e moda, somando mais de 15 projetos contemplados em editais como FAC-RS, LPG – Lei Paulo Gustavo e PNAB – Plano Nacional Aldir Blanc. Em 2025, realizou a Oficina Cinema Estranho na escola Bento Gonçalves, no bairro Mathias Velho em Canoas, com duração de 80 horas. A oficina possibilitou a formação artística-técnica de 15 estudantes, resultando no curta-metragem A Cápsula do Tempo, que circulou em festivais de cinema estudantil como o Visões Periféricas (RJ), o FECEA (Alvorada – RS) e o FECIC (Canoas – RS), onde venceu o prêmio de melhor filme do júri.

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