A política é feita de gestos. E de horários.
Às 23h desta quarta-feira, a assessoria da prefeita interina de Cachoeirinha e candidata à eleição suplementar de 12 de abril, Jussara Caçapava (Avante), disparou a nota oficial: o vereador Mano do Parque (PL) será o candidato a vice-prefeito na chapa.
O relógio diz muito. Mal havia terminado a reunião, em Porto Alegre, com o presidente estadual do PL, Giovani Cherini, e com o candidato a governador pelo partido Luciano Zucco e a composição já estava nas redes e nos grupos de WhatsApp. Pressa calculada. Sinal claro de que a decisão estava sacramentada.
Na eleição de 2024, Mano era candidato a prefeito. Aos 45 minutos do segundo tempo, foi retirado da disputa pela direção estadual do PL para facilitar a eleição de Cristian Wasem (MDB) e do vice Delegado João Paulo Martins (PP) — ambos cassados por impeachment em janeiro; e na suplementar, oposição.
Por isso liguei para Mano, perguntando se, diante do histórico recente, não haveria risco de nova reviravolta.
– Não. Sou o candidato a vice – respondeu, sorrindo.
A velocidade do anúncio também expõe outra leitura: Mano, que chegou a lançar candidatura própria e foi alvo de ataques nas redes por comunicadores simpáticos a Jussara, era o preferido da prefeita interina para fechar a chapa.
A divulgação imediata parece ter buscado evitar ruídos — e qualquer movimento inesperado da direção partidária.
Jussara não atendeu o Seguinte:. Assim, as declarações abaixo são da nota distribuída por sua assessoria.
“Será um prazer ter este grande amigo ao meu lado neste momento tão importante para a cidade. Fiz a escolha certa, não à toa, ele é chamado de ‘Fiscal do Povo’”, afirmou a candidata.
Vereador em segundo mandato, Mano construiu sua imagem política com foco na fiscalização das ações do Executivo — o que lhe rendeu o apelido que virou slogan.
Segundo a assessoria, ele se dedicou ao acompanhamento de demandas populares, controle de gastos públicos e proposição de leis com impacto direto na qualidade de vida.
Entre os projetos aprovados, estão leis voltadas ao enfrentamento da automutilação entre crianças e adolescentes, à inserção da cultura gaúcha nas escolas e à emissão de carteiras de identidade para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
“Recebi com muita responsabilidade esse convite. A Jussara quer mudar a situação do nosso município, que vive momentos difíceis. Se eleitos, vamos dar à população o que é de direito dela”, declarou Mano.
Luis Carlos Azevedo da Rosa, o Mano, é natural de Canguçu. Foi militar da Força Aérea Brasileira entre 1994 e 2002. Casado com Mariluce e pai de Wesley Rosa, mora em Cachoeirinha há mais de 15 anos.
Atuou como barbeiro no bairro Parque da Matriz e como pastor da Assembleia de Deus. Antes de entrar oficialmente na política, já era liderança comunitária reconhecida, com presença constante junto ao poder público.
A eleição suplementar ocorre em 12 de abril. Horas antes do anúncio da chapa, o ex-prefeito Cristian publicou vídeo convocando eleitores a votar — mas não revelou qual candidatura apoiará.
Nos bastidores, seguem cogitados nomes como Claudine Silveira (PP), esposa do ex-vice Delegado João Paulo; David Almansa (PT); e José Stédile (PSB).
O anúncio de Mano fecha uma equação importante para Jussara: como ela é ‘da vila’, popular, e representa um partido sempre ligado a Lula, ter um conservador como vice equilibra.
Ao fim, a chapa é tão pragmática quanto o impeachment.
É uma boa estratégia a de Jussara, mesmo em uma Cachoeirinha onde, reputo, a última coisa de que o eleitor precise se preocupar é com qual lado da ferradura ideológica vai calçar.






