RAFAEL MARTINELLI

Cachoeirinha libera primeira licença para sua ‘GM do e-commerce’ e acelera corrida para superar Gravataí; entenda

Prefeita Jussara recebeu Eltamar Salvadori, sócio da 3SB Parque Logístico

Na sexta-feira, a prefeita interina Jussara Caçapava assinou a primeira licença prévia para o Parque Logístico de Cachoeirinha. É um ato administrativo. Mas, na prática, é o gatilho de uma ambição maior: transformar a cidade em protagonista da logística no Rio Grande do Sul. E, nesse jogo, o alvo é claro: Gravataí.

Hoje no topo do ranking estadual para negócios industriais e logísticos, a vizinha virou referência e inspiração.

– Nos inspiramos em Gravataí – resumiu Jussara, ao Seguinte:.

A diferença é que Cachoeirinha quer mais do que alcançar. Quer ultrapassar.

A licença é o primeiro passo concreto para tirar do papel um empreendimento que projeta até R$ 1 bilhão em investimentos e 20 mil empregos ao longo de toda a cadeia — da armazenagem à entrega final.

Na linguagem política e empresarial, ganhou apelido: a ‘GM do e-commerce’.

A comparação, puxada pela presidente do Centro das Indústrias de Cachoeirinha (CIC), Neiva Bilhar, não é casual. Remete ao impacto estrutural que a indústria automobilística teve em Gravataí. Agora, a aposta é que a logística digital cumpra esse papel em Cachoeirinha.

Porque o jogo mudou, a partir da pandemia e do avanço tecnológico. Se antes o diferencial era preço, hoje é entrega. Velocidade. Frete. E isso se resolve com logística.

Paralelamente à licença, Jussara reuniu-se com o empresário Eltamar Salvadori, da 3SB Parque Logístico — empresa que opera o maior complexo do segmento no Estado, em Nova Santa Rita.

O encontro não foi protocolar. Foi alinhamento de estratégia.

A 3SB confirmou R$ 200 milhões em investimento inicial e potencial de 3 mil empregos diretos já nas primeiras fases. O projeto nasce mirando grandes players do e-commerce. Empresas como Amazon, Shopee e Mercado Livre aparecem no radar.

No mercado, esse tipo de silêncio público costuma ter tradução simples: negociação em andamento.

No lançamento do projeto, Neiva Bilhar, presidente do CIC, comparou Parque Logístico com GM

O modelo já existe — e funciona

Para entender o que pode surgir em Cachoeirinha, basta olhar para trás. Ou melhor, para o lado.

O parque da 3SB em Nova Santa Rita, inaugurado em 2009, virou referência estadual. Um ecossistema completo, com segurança 24 horas, controle rígido de acesso, estrutura para caminhões, áreas de convivência, manutenção integrada e galpões preparados para operações de alta escala.

Na prática, não é só um condomínio logístico. É uma engrenagem.

Clientes como Amazon, Magalu e Pepsico ajudam a dimensionar o nível da operação.

A versão de Cachoeirinha nasce com uma vantagem competitiva adicional: geografia.

Cachoeirinha está no que o mercado chama de “ponto de ouro” logístico: próxima de Porto Alegre (mercado consumidor) e a cerca de 12 km do Aeroporto Salgado Filho, conectada à BR-116, BR-290 (Freeway) e RS-118, além do acesso facilitado ao porto de Rio Grande.

Isso reduz tempo. Reduz custo. E aumenta competitividade.

Na lógica do e-commerce, isso define quem vende — e quem perde venda.

É a chamada última milha: o trecho final entre o centro de distribuição e a casa do cliente. É ali que se ganha ou se perde o jogo.

O avanço de Cachoeirinha acontece com um pano de fundo incômodo. Gravataí acelerou antes. Segundo dados do governo do Estado, o município assumiu a liderança no ranking logístico em 2023. Caxias do Sul e Canoas aparecem na sequência.

Cachoeirinha corre atrás. Mas corre com pressa.

A cidade já perdeu disputas recentes — como o centro de distribuição das Farmácias São João, que foi para Gravataí.

Agora, o comando de Jussara é “não perder mais”.

Enquanto tenta atrair novos gigantes, o governo também atua para segurar os que já estão.

Na mesma agenda, Jussara recebeu representantes da Aços Favorit, maior contribuinte de impostos do município. A empresa enfrenta entraves há mais de um ano e meio para viabilizar uma ampliação de R$ 10 milhões.

A resposta veio em formato de pressão interna. Uma força-tarefa foi criada, com prazo de uma semana para destravar o processo, sob a coordenação de seu assessor especial Cláudio Ávila, secretários municipais e equipe técnica.

– Cachoeirinha não pode perder investimentos. Aqui, quem quer gerar emprego tem resposta do poder público – garante a prefeita, que é candidata na eleição suplementar de 12 de abril.

Na primeira foto, o Parque Logístico de Santa Rita; na segunda, o projeto de Cachoeirinha

Mais do que galpões

O que está em jogo não é apenas um parque logístico. É reposicionamento econômico.

Durante anos, Cachoeirinha foi vista como cidade de passagem — um ponto entre rodovias, sem capturar plenamente o valor dessa posição.

O Parque Logístico tenta inverter essa lógica.

Transformar fluxo em permanência. Trânsito em destino.

A assinatura da primeira licença não garante o futuro. Mas muda o presente. Coloca Cachoeirinha oficialmente na corrida. E, a partir de agora, a disputa deixa de ser potencial — e passa a ser execução.

Entre licenças, reuniões e bilhões projetados, a cidade começa a testar se consegue fazer o que promete há anos: transformar geografia em estratégia. E estratégia em emprego.

Muitos empregos.


LEIA TAMBÉM

R$ 1 bilhão e até 20 mil empregos: Parque Logístico Cachoeirinha pode atrair Amazon, Shopee e Mercado Livre


Parque Logístico foi apresentado em 6 de março; assista na SEGUINTE TV

Participe de nossos canais e assine nossa NewsLetter

Facebook
WhatsApp
Twitter
LinkedIn
Pinterest

Conteúdo relacionado

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Receba nossa News

Publicidade