Um morador de Canoas foi alvo, na manhã desta terça-feira (4), de uma operação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) que investiga um grupo suspeito de planejar atentados durante o período eleitoral deste ano. A ação, denominada Operação Rede Interrompida, cumpriu oito mandados de busca e apreensão em cinco estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Pernambuco.
Segundo a investigação, os suspeitos utilizavam grupos no Telegram e ambientes da chamada dark web para discutir ataques violentos em Brasília, incluindo a possibilidade de explosão de um prédio onde deverá ocorrer um debate entre candidatos à Presidência da República antes do segundo turno das eleições.
Em Canoas, o mandado foi cumprido por equipes da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco). Conforme o delegado Gustavo Bermudes, o investigado é um homem de 23 anos, desempregado, que mora no bairro Rio Branco. Ele não possui antecedentes criminais.
Durante as buscas na residência, os policiais apreenderam a capa de um colete balístico. O material será encaminhado para perícia, assim como outros itens recolhidos durante a operação.
De acordo com a Polícia Civil do Distrito Federal, os investigados têm entre 19 e 31 anos e são suspeitos de integrar uma rede extremista que discutia a invasão de prédios públicos, seleção de alvos, recrutamento de integrantes, formação tática e compartilhamento de plantas arquitetônicas e modelos tridimensionais de edifícios localizados na região central de Brasília, incluindo o Palácio do Planalto.
As investigações apontam ainda que os participantes dos grupos trocavam informações sobre fabricação de artefatos explosivos e planejavam ações para provocar tumulto durante o período eleitoral.
Entre os alvos da operação está também um seminarista ligado a um mosteiro em Pernambuco. Segundo a polícia, ele participava ativamente das discussões sobre a estruturação nacional da rede extremista. Agentes realizaram buscas no alojamento utilizado por ele.
Em Brasília, durante o cumprimento de um dos mandados, foram apreendidas armas e uma bandeira confederada, símbolo historicamente associado a grupos supremacistas nos Estados Unidos.
A investigação é coordenada pela Divisão de Prevenção e Combate ao Extremismo Violento da PCDF, com apoio das polícias civis dos estados envolvidos, da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), vinculado ao Ministério da Justiça.
Os investigados poderão responder por organização criminosa, cuja pena varia de três a oito anos de prisão, além do crime de terrorismo, caso as investigações confirmem a prática dos atos, hipótese em que a pena pode variar de 12 a 30 anos de reclusão. Até o momento, ninguém foi preso na operação, e as investigações seguem para análise do material apreendido.






