Plano do governo é contratar entidade para assumir a gestão das UPAs, o primeiro passo para encerrar o capítulo Gamp na história da Saúde em Canoas
Foi publicado nesta quarta-feira, 20, no Diário Oficial do município um edital de chamamento público para contratação de organização civil que assuma a gestão das Unidades de Pronto Atendimento de Canoas, as UPAs. Na prática, o edital é o primeiro passo para encerrar a presença do Grupo de Apoio à Medicina Preventiva e à Saúde Pública, o Gamp, na história da cidade – e colocar a administração das UPAs a cargo de uma entidade especializada nesse tipo de negócio, que fará a contratação e o pagamento de médicos e equipes de saúde, além da manutenção dos serviços.
LEIA TAMBÉM
CANOAS | Calendário de vacinas da semana tem D2 de CoronaVac e AstraZeneca; e D1 para 12+
CANOAS | Reforma da Previdência: o equilíbrio e a polêmica
De acordo com a prefeitura, esse é o primeiro de quatro editais previstos para substituir os contratos com Gamp. Os demais envolvem o Hospital de Pronto Socorro de Canoas, o HPSC, o Hospital Universitário, o HU, e os Centros de Atenção Psicossocial, os CAPS.
O processo de seleção está marcado para o dia 23 de novembro, às 10h, na Rua Frei Orlando, 199, 4º andar, no Centro. A nova organização fará o gerenciamento e a operacionalização das ações e serviços de saúde, através de termo de colaboração, nas UPAs Rio Branco, Guajuviras (Boqueirão), Liberty Dick Conter e Niterói, que será reaberta, em breve, pela administração municipal.
Na sequência, devem ser abertos os editais para gestão dos CAPS, do HPSC e do Hospital Universitário.
O Gamp foi contratado pelo município no final de 2016 e, dois anos depois, mergulhou a cidade em um escândalo político e financeiro. O grupo foi acusado de fraude, compra de medicamentos superfaturados e uso dos recursos de saúde do município para pagamento de despesas com viagens e hotéis de luxo, de acordo com a investigação conduzida pelo Ministério Público gaúcho. A secretária de Saúde em 2018, Rosa Groenvald, foi afastada do cargo em dezembro daquele ano e depois definitivamente exonerada. O antecessor dela, Marcelo Bósio, chegou a ser preso por ter assinado o contrato com o Gamp.
Na época, o MP calculava um desvio de aproximadamente R$ 40 milhões – pouco menos de 10% dos R$ 426 milhões que o Gamp havia recebido da Prefeitura de Canoas nos dois anos de operação na cidade. De lá para cá, a Justiça determinou uma intervenção municipal na gestão do Gamp, vigente até hoje.