Organizado, vibrante e cirúrgico! O Grêmio de Luís Castro transformou o primeiro jogo da final do Gauchão contra o seu tradicional adversário em sambódromo. Desfilou, encantou, comoveu, emocionou, triunfou. Uma tarde de gala na Arena. Principalmente pelo resultado. Nota? Dez!
O time explorou as mazelas do Internacional impiedosamente. Afinal, futebol é, sobretudo, um jogo de erros. Como consequência, parte para o jogo da volta ostentando a condição de virtual campeão. Falta apenas a “apuração” final no Beira-Rio no próximo final de semana. Certamente adotará o “quesito” jogar com o regulamento debaixo do braço.
A vantagem é absurdamente confortável. E foi construída fundamentalmente pela superioridade numérica após a expulsão de Bernabei aos 32 minutos da etapa inicial. Eis a fagulha que desencadeou no triunfo. Antes disso, porém, o tricolor já amordaçava, negava espaços, ganhava no suor. Enredo e evolução formidáveis.
O Gre-Nal 450 também marcou o verdadeiro batismo da comissão técnica. Foi a tarde da farta colheita de um projeto que nasceu com o desafio de renovar o time, reciclar a mecânica, virar a página e fechar ciclos. A dupla de defesa composta por Gustavo Martins e Viery talvez seja a maior ilustração. Uma dupla com outro ritmo, trocando a cadência pela velocidade.
Outros dois acertos estão sendo fundamentais para o encaixe coletivo. O primeiro deles é a fixação de Noriega na cabeça de área. Enfim, um camisa 5 para fazer o “trabalho sujo”. Na lateral direita, a improvisação de Pavón está revigorando o futebol do camisa 7 e recolocando o lado direito no mapa de calor da equipe. “Alas” adaptadas em busca da harmonia.
Da parte do Internacional, uma tarde de Tragédia Grega. A pior jornada de Paulo Pezzolano vestindo vermelho e branco. Primeiro, pela estratégia de superdimensionar o jogo da volta e ter abdicado de jogar na Arena. E depois da expulsão, a vestimenta colorada foi inominável, quase digna de um Bobo da Corte! Nada compatível com a grandeza da instituição e, principalmente, com a militância da nação colorada.
Talvez fosse preciso recompor a linha defensiva imediatamente após a expulsão, com Braian Aguirre ou Victor Gabriel. A parada para a troca também poderia arrefecer o ímpeto do Grêmio, né? Mas não. O treinador promoveu um “geleia geral”, improvisando Vitinho na camisa 2 e colocando Bruno Gomes na lateral-esquerda. Depois do intervalo, migrou para três zagueiros. Alegoria e adereços? Precários, abaixo da linha da pobreza. Dignos de uma vaia do tamanho do Rio Grande.
Por grandes méritos do Grêmio e inúmeros deméritos do Inter, o Gre-Nal do próximo domingo, no Beira-Rio, virou mero protocolo. Quase um amistoso valendo a Taça do Gauchão 2026. Será?
Ao menos é a aposta de momento, é claro. O Grêmio deu passos largos rumo ao estandarte de ouro. Pelo lado colorado, somente uma epopeia como a vivida no final do ano passado. Impossível? Não! Improvável, certamente.
Parabéns à Acadêmicos da Zona Norte trajada em Azul, Preto e Branco!






