A pauta do autismo em Gravataí ganhou espaço na Assembleia Legislativa nesta terça-feira (31), durante oitiva promovida pela Comissão de Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia, presidida pela deputada Patrícia Alba (MDB).
A reunião ocorreu em razão da passagem do Dia Mundial de Conscientização do Autismo e teve como foco a atuação do Instituto Social do Autismo, que apresentou dados e desafios enfrentados pelas famílias no município.
De acordo com o presidente da entidade, Silvio Fernandes, Gravataí tem cerca de 29 mil alunos na rede de ensino, sendo 2,7 mil neurodivergentes e, destes, aproximadamente 1,7 mil com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA).
O número, segundo ele, evidencia a urgência de políticas públicas mais estruturadas. “Falamos da formação de uma nova sociedade. Essas crianças serão adolescentes e depois adultos, e nossa preocupação é com toda a jornada desse grupo”, afirmou.
Entre os principais problemas apontados estão a falta de monitores em sala de aula, o que sobrecarrega professores e dificulta o acompanhamento adequado dos alunos.
Atendimento e apoio às famílias
O Instituto surgiu a partir da experiência pessoal de Fernandes e de sua esposa, Aline Vieira, ambos pais atípicos.
A entidade atua com atendimento terapêutico e orientação às famílias, além de oficinas e ações de conscientização, na Rua Cambará do Sul, 271, Cohab C.
Em dezembro de 2025 a gestão atual, o prefeito Luiz Zaffalon e a Câmara de Vereadores, aprovaram um projeto e, para construção de uma nova sede, cederam por 20 anos o prédio público onde funcionava o antigo posto de saúde Érico Veríssimo
Segundo Aline, a proposta é oferecer suporte para que outras famílias possam acompanhar o desenvolvimento dos filhos com mais segurança.
A atuação também inclui articulação com o poder público e instituições privadas, com orientações voltadas às áreas de saúde e educação.
Durante a oitiva, Patrícia Alba destacou as dificuldades do poder público em responder à demanda crescente e ressaltou a importância da mobilização das famílias.
A parlamentar citou o programa TeAcolhe, do governo do Estado, e defendeu iniciativas específicas para formação de professores da rede pública.
Ela também contribuiu com emenda parlamentar destinada ao Instituto.
Comissão aprova ações contra violência nas escolas
Além da pauta do autismo, a comissão aprovou um requerimento que propõe a criação de um grupo interinstitucional para prevenção da violência contra mulheres nas escolas públicas e privadas.
A iniciativa prevê a participação do poder público e da sociedade civil, com foco na conscientização, prevenção e identificação precoce de situações de violência, especialmente feminicídios.
Segundo a deputada, o ambiente escolar tem papel central na formação de uma cultura de respeito e proteção às mulheres.






