a poesia do cidade

Diário Do Isolamento – Dia 3

Arte por Rafael Carlos

Acordo como se tivesse levado um soco na cara

Eu sei por que levo socos na cara desde sempre

Meu nariz está do tamanho do pulso da minha sobrinha de 4 anos

Mantenho o contato com ela e minha familia por chamadas de video

Fico vendo fotos e me preocupando com pessoas que nem lembram que estou vivo

São as saudades obscuras

Estamos nos guardando para sermos alvejados?

As saudades obscuras são mais duráveis do que queremos

São como a energia nefasta que nos fertiliza o ódio

O presidente dos outros nesse quesito está no pódio

Eu estou esperando Tavinéia trazer comida e remédios

Quero cozinhar algo bom pra gente

A normalidade é uma deusa que precisa de afagos

Depois me medicar

A normalidade é uma deusa que aprecia estragos

 

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