Nesta quarta-feira (22), a linha de montagem em Gravataí não apenas girou a 64 veículos por hora; ela alcançou a eternidade na história da indústria automotiva nacional. Um Sonic RS na cor cinza urbano deixou a esteira como o veículo de número 5.000.000 fabricado no complexo gaúcho.
Como já analisei em artigos anteriores, para o município a General Motors nunca foi apenas uma fábrica, mas sim o próprio motor da transformação econômica. Se no ano 2000 Gravataí ocupava o 12º lugar no PIB do Rio Grande do Sul, o impulso do complexo automotivo guiou até a 4ª posição estadual. Diante desse feito, fica cada vez mais evidente: na prática cotidiana, o “G” da sigla GM passou a significar, indiscutivelmente, Gravataí.
Após participar da cerimônia, o prefeito Luiz Zaffalon resumiu o sentimento: “Um momento histórico na General Motors em Gravataí: a celebração da marca de 5 milhões de veículos produzidos na nossa cidade. Isso representa desenvolvimento, geração de empregos e o protagonismo de Gravataí na indústria automotiva do Brasil. Seguimos avançando, com trabalho e parcerias que fazem a diferença na vida da nossa população”.
A fala de Zaffa traduz o alívio e o orgulho de uma comunidade que aprendeu a respeitar os ciclos industriais. Afinal, a história local ensinou o peso da ‘GMdependência’. Em momentos passados, quando episódios como o encerramento das atividades da Ford no país assombraram o setor, o fantasma dos layoffs e das paradas de fábrica fez o município prender a respiração. Mas o que se viu nos últimos anos — e culminou no feito deste meio de ano — foi a demonstração oposta: resiliência e investimento contínuo.
A planta gaúcha, que começou há 26 anos revolucionando o mercado com o conceito de condomínio industrial para fazer o Celta, é hoje uma smart factory de padrão global. São R$ 6 bilhões acumulados em investimentos na planta ao longo de sua história, somados aos recentes aportes do plano de R$ 10,5 bilhões da montadora no Brasil até 2028.
Hoje, a fábrica opera com tecnologia 4.0, monitoramento de torque via software e automação com autocorreção. É dessa estrutura avançada que sai metade de todos os veículos vendidos pela GM no país no primeiro semestre de 2026 — 70 mil das 140 mil unidades comercializadas no período.
Como destacou Thomas Owsianski, presidente da GM América do Sul: “Essa fábrica estabeleceu um novo padrão para a indústria automotiva e esse espírito inovador segue presente. Hoje, Gravataí é uma das fábricas mais modernas da General Motors no mundo”.
Mais do que olhar pelo retrovisor e celebrar o passado do Celta, do Prisma e a hegemonia do Onix, o marco dos 5 milhões projeta o município para o amanhã. Com a chegada do novo Sonic e a iminente eletrificação da frota — com a especulada adoção de sistemas híbridos leves de 48V —, Gravataí garante que não será atropelada pela transição energética do setor automotivo.
Ao fim, celebrar esse carro número 5 milhões não é apenas contabilizar toneladas de aço, robôs trabalhando em sintonia e motores rodando. É reconhecer que, enquanto a fábrica mantiver seu ritmo acelerado e inovador, o futuro econômico de Gravataí continuará com o pé no acelerador.
Com “G”, de GM.

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