Na política, há atos. E há sinais. Às vezes, os dois se confundem. Neste sábado, no CTG Aldeia dos Anjos, o lançamento da pré-candidatura de Dimas Costa (PSD) à reeleição não foi apenas um evento com 1,4 mil pessoas, conforme cálculo do patrão Regio Leal. Foi um recado eleitoral. Uma demonstração de força do único deputado estadual do grupo do prefeito Luiz Zaffalon.
O número impressiona. A liturgia explica. Mas é a construção que revela.
Dimas — o ‘embaixador’ do governador Eduardo Leite em Gravataí, como já se consolidou na prática e no símbolo — mostrou que não é apenas um deputado que circula. É um deputado que conecta.
Delegações de 50 municípios, prefeitos, vereadores de diferentes partidos, lideranças da região metropolitana e do interior: a diversidade ali não era casual. Era método.
Porque, no fundo, o ato não tratava apenas de Dimas. Tratava de escala.
– Temos um deputado de verdade, não só sabor deputado – disse o vereador Roger Correa, que falou junto a Guarda Moisés, Alex Peixe, Cláudio Ávila e Márcia Becker.
Há políticos que somam apoios. Outros constroem pontes. Dimas parece ter escolhido o segundo caminho.
A presença de lideranças de cidades como Cachoeirinha, Alvorada e Canoas — além de caravanas que cruzaram o Estado por horas — materializa algo que já vinha sendo ensaiado: sua capacidade de dialogar para além do próprio território. A política que não se encerra no município. Que transborda.
Não à toa, o prefeito Zaffa cometeu seus sincericidios:
– Gravataí só tem um deputado, o Dimas, esse Animal Político. A outra não ajuda – disse, referindo-se a Patrícia Alba, esposa do ex-prefeito e principal adversário Marco Alba.
– E o Dimas é o embaixador do governador não só em Gravataí, mas em todo o Rio Grande do Sul – acrescentou.
Presente, a prefeita interina de Cachoeirinha, Jussara Caçapava, confirmou:
– Vocês não imaginam o quanto, em dois meses de governo, o Dimas já nos abriu portas.
A frase não é nova. Mas, como na política o contexto altera o peso das palavras, ali ganhou outro significado. Dita diante de 1,4 mil pessoas, deixa de ser elogio. Vira enquadramento.
Nos discursos, uma palavra se repetiu até se transformar em conceito: resultado.
Dimas foi chamado de “deputado de resultados” por aliados. Não como marketing vazio, mas como tentativa de traduzir um ativo político concreto: a capacidade de transformar articulação em entrega.
Os mais de R$ 200 milhões em investimentos do governo do Estado em Gravataí, no período mais delicado das finanças públicas — pós-pandemia, pós-enchente, com a GM operando abaixo do normal — foram lembrados como prova.
Na política real, números falam. Mas não sozinhos. Precisam de alguém que os conecte.
É nesse ponto que entra o papel que seu coordenador de campanha Davi Severgnini — ao menos até sair do governo o ‘Zaffa do Zaffa’ para sucessão em 2028 — fez questão de reforçar ao subir ao palco, mesmo sem mandato:
– No fim do dia, não importa quem venceu o debate. Importa o resultado para a população.
Davi não estava ali apenas como ex-secretário. Estava como fiador de uma narrativa: a de que Dimas não é só executor. É articulador.


O ‘extremo centrismo’ como escolha — e risco
Se há uma linha que organiza o discurso de Dimas, ela passa por um conceito que, em tempos de polarização entre lulismo e bolsonarismo, soa quase heresia: o ‘extremo centrismo’.
Não como neutralidade. Mas como posicionamento.
Ao alinhar sua fala à de Eduardo Leite, Dimas reforçou a ideia de que é possível — e necessário — dialogar com diferentes lados da ferradura ideológica sem se tornar refém de nenhum.
– Ninguém faz nada sozinho. Desconfie do político que quer te fazer brigar com os outros. Quem trabalha não tem tempo de ficar lacrando em rede social – disse.
A frase carrega mais do que um conselho. É uma estratégia. Num ambiente político que premia o conflito, apostar no diálogo é, ao mesmo tempo, diferencial e risco.
Mas é coerente com sua trajetória recente: o político que se atira na frente da bola para defender o governo, mas também cobra internamente.
Leal, sem ser “puxa-saco”, como ele próprio definiu. Leite o tratou por “amigo”, em vídeo enviado.

Origem, missão e narrativa
Se a política também se constrói em histórias — e se sustenta nelas —, Dimas recorreu à sua.
Filho de uma faxineira, criado ao lado de cinco irmãs e irmão, cobrador de ônibus, panfleteiro, vereador que dobrou votação. Não é apenas biografia. É narrativa política.
– Eu sei a dor das pessoas – disse, ao chamar ao palco a mãe, Margarida, a esposa vereadora Anna Beatriz da Silva e a família.
A cena não é inédita. Mas continua eficaz. Porque ancora o discurso em algo que o eleitor reconhece: origem.
E, talvez mais importante, coerência.
– Não troquei de turma. Não mudei de lado. Ampliei minhas relações – disse.
Num momento em que sua trajetória inclui deslocamentos políticos — da esquerda ao centro —, a frase funciona como antídoto: não houve ruptura, houve expansão.
Na política, lealdade raramente é gratuita. E Dimas deixou isso implícito — como se faz quando se quer dizer sem dizer.
Ao lembrar que abriu mão de disputar a Prefeitura para apoiar Zaffa — mesmo bem posicionado nas pesquisas —, sinaliza que há uma conta.
Não cobrada em público. Mas registrada.
Zaffa, por sua vez, respondeu à altura:
– Vamos fazer do Dimas o mais votado do PSD. Quiçá, da Assembleia.
É o tipo de compromisso que, na política, vale mais pelo que representa do que pelo que promete.
Amadurecimento — e recados sutis
Talvez o gesto mais revelador do ato não tenha sido o que aconteceu no palco. Mas o que não aconteceu.
O convite feito por Dimas ao vice-prefeito Dr. Levi — adversário interno nas disputas de poder do governo —, mesmo sem sua presença, foi citado por Zaffa como sinal de “grandeza” e “amadurecimento”.
Na política de Gravataí, historicamente marcada por rupturas ruidosas, esse tipo de movimento não é detalhe. É sinal.
Assim como a convivência, hoje possível, com o irmão Dilamar Soares, construída por articulação política. Dimas mobilizou vereadores ligados a ele para eleger Dila presidente da Câmara em 2026.
Dimas parece ter entendido algo que nem todos aprendem: na política, crescer é também saber com quem não se pode mais brigar, mesmo alguns caibam na sentença de Camila Maccari, em Dias de se fazer silêncio: “Às vezes a gente não quer tanto uma coisa que chega a esquecer as coisas que a gente quer”.
Ao fim, o lançamento da pré-candidatura não decide eleição. Mas organiza o jogo. Mostra quem está. Sugere quem pode estar. E, principalmente, evidencia quem não está.
Com base diversa, apoio explícito do prefeito, articulação estadual e narrativa consolidada, Dimas entra na pré-campanha como algo além de candidato.
Entra como projeto.
E, como todo projeto político que se pretende viável, carrega três elementos essenciais: grupo, entrega e história.
Se serão suficientes, é outra eleição. Mas, no sábado, no CTG, ficou claro: Dimas não está apenas na disputa. Está no centro dela. Como ‘embaixador’ de Leite em Gravataí e além.
Assista ao vídeo do lançamento produzido por GG para a SEGUINTE TV
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