Um time com fome, gana e sangue nos olhos. O Internacional de Paulo Pezzolano engoliu a edição 449 do maior clássico do mundo. Houve organização, mérito tático e superioridade técnica, claro, mas a vitória teve como maior emblema a disposição.
Suor, entrega, bravura, irresignação. Eis o principal cartão de visitas do jovem e novato treinador colorado. O uruguaio foi a maior individualidade do Inter no duelo. Chega ao Beira-Rio justamente com essa expectativa: tirar leite de pedra, como já fez com o Cruzeiro em temporadas passadas.
Carbonero e Bernabei pela esquerda. Mercado no miolo defensivo, Ronaldo “suando litros” na intermediária e Rafael Santos Borré no comando de ataque. A propósito, louvados sejam os centroavantes! E, a partir de agora, o colombiano tem um Gre-Nal para chamar de seu.
Corda esticada. Eis o maior mérito do Internacional. Somente assim um elenco com sérias limitações técnicas consegue ganhar competitividade. Está aí a receita para o restante da temporada, embora reforços em nível de titularidade sejam questão de sobrevivência. Alô, direção! Fora de campo, as presenças da lenda Abel Braga e de Fabinho Soldado já começam a surtir efeito no aspecto anímico. Será?
Pelo lado superado, uma rotunda decepção — embora tenha ficado à frente do duelo em duas oportunidades. O Grêmio de Luís Castro repetiu os piores momentos da última e amarga temporada. A começar pela insistência em Cristaldo e, depois, Edenilson na meia-cancha, mesmo com William no banco de reservas. Não há argumento plausível. Ora, pois, pois…
Pior que a escalação e as mudanças foi a entrevista pós-jogo. “Tivemos uma jornada negra”, disse. E, desgraçadamente, ainda repetiu. Menos mal que o treinador emitiu nota de retratação na tentativa de justificar o injustificável. O “Clube de Todos”, estampado na camiseta do Grêmio, certamente precisa estar muito além de uma peça de marketing.
Falta um camisa 10 ao elenco. Também é visível a lacuna à frente da área. A ausência de um camisa 5 sangra. Na segunda função, Arthur não conseguiu “cartear” o jogo, o que ilustra, mais uma vez, o sucesso da marcação colorada. O mesmo vale para a vigilância sobre Carlos Vinicius, que pisou no Beira-Rio ostentando 16 gols em 18 jogos.
E o goleiro Weverton? Falha bisonha no primeiro gol, incompatível com o cartaz do novo camisa 1. Repetiu “feitos” de Taffarel e Victor em Gre-Nais. Aguardemos os próximos capítulos. Embora tenha atuado na última quarta-feira, estava desde outubro longe dos gramados. Do outro lado, o colorado Sergio Rochet também falhou em um dos gols.
Ainda nesta semana tem início o Brasileirão, que será ineditamente desfilado de janeiro a dezembro. A Copa “Gre-Nal”, vencida de maneira categórica pelo Internacional por 4 a 2, já virou obra do passado. Para o bem e para o mal. “Gauchão é engana-bobo”, como eternizou o saudoso Wianey Carlet.
Mesmo assim, parabéns à Nação Colorada! Em Gre-Nal, é preciso vencer sempre. Seja no até no par ou ímpar.






