SEGURANÇA

Gravataí entra no radar de megaoperação interestadual contra facção que atua no tráfico e lavagem de dinheiro

Gravataí está entre os municípios alvo, nesta quarta-feira (26), de uma grande operação da Polícia Civil contra a maior facção criminosa de Porto Alegre, apontada pelas autoridades também como uma das organizações mais violentas do Rio Grande do Sul.

A ofensiva, coordenada pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), mobiliza cerca de 480 policiais e ocorre simultaneamente em cinco Estados. O objetivo principal é desarticular a estrutura financeira da organização e combater um esquema de lavagem de dinheiro, além de atingir integrantes e lideranças do grupo.

As informações são da jornalista Leticia Mendes, em reportagem publicada pela GZH.

Ao todo, são cumpridos 33 mandados de prisão preventiva e 121 mandados de busca e apreensão. No Rio Grande do Sul, a operação ocorre em Porto Alegre, Gravataí, Alvorada, Viamão, Charqueadas e Novo Hamburgo. Também há ações em Santa Catarina, Goiás, São Paulo e Tocantins, Estados onde, segundo a investigação, existem ramificações da organização.

De acordo com a Polícia Civil, a operação é resultado de uma investigação conduzida pelo Deic durante um ano e três meses.

Segundo a delegada Fernanda Amorim, da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado do Deic, a organização criminosa está estabelecida há anos no território gaúcho e mantém conexões interestaduais e internacionais, principalmente com o Paraguai.

A investigação aponta envolvimento do grupo em crimes como tráfico de drogas, tráfico de armas, munições e explosivos, clonagem de veículos, homicídios, aliciamento de menores e financiamento de organização criminosa armada.

A atuação financeira também está no centro da operação. A Polícia Civil identificou dois grandes núcleos de lavagem de capitais que seriam utilizados para movimentar recursos obtidos com as atividades criminosas.

Até o momento, 31 prisões foram cumpridas, sendo quatro delas em flagrante. Segundo a Polícia Civil, essas prisões ocorreram por crimes como tráfico de entorpecentes, associação para o tráfico, porte de arma de fogo com numeração suprimida e receptação.

Dos alvos que possuem mandados de prisão preventiva, 13 já estão dentro do sistema prisional.

Entre eles estão presos conhecidos como Júnior Perneta, que está no sistema penitenciário federal, e Nego Cris. Os dois receberam novos mandados durante a operação.

Segundo a delegada responsável pela investigação, praticamente todos os mandados de prisão preventiva foram cumpridos nos Estados onde houve ações. Dois alvos ainda não haviam sido localizados até a atualização divulgada pela Polícia Civil.

Bloqueio de R$ 6 milhões e conexão-Paraguai

Além das prisões e buscas, a operação tem como foco atingir o patrimônio da organização criminosa.

A expectativa da Polícia Civil é conseguir bloquear aproximadamente R$ 6 milhões ligados ao grupo. Também estão previstos sequestros de bens móveis e imóveis, principalmente em Porto Alegre.

A estratégia, segundo a investigação, é provocar uma espécie de asfixia financeira da facção, atingindo não apenas integrantes envolvidos diretamente nos crimes, mas também estruturas utilizadas para movimentar e ocultar os recursos.

Uma das suspeitas envolve o uso de uma empresa de fachada para administrar uma cantina dentro da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc).

As regras da unidade prisional foram alteradas em março, quando foi determinado, entre outras mudanças, o fim da concessão de cantinas.

A investigação também aponta que a organização teria acesso a armamento pesado, incluindo fuzis e metralhadoras, com parte das armas negociadas a partir do Paraguai.

A Polícia Civil investiga ainda a atuação do grupo em homicídios, tráfico de drogas e armas e outros crimes praticados a partir da estrutura da organização.

De acordo com a delegada Fernanda Amorim, a operação busca alcançar diferentes níveis da facção, inclusive integrantes que continuariam comandando atividades criminosas de dentro de unidades prisionais.

Entre as ações investigadas estão também episódios de arremesso de drones em penitenciárias, utilizados para levar materiais para pessoas privadas de liberdade.

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