Se, há seis anos, a desistência do investimento do Mercado Livre foi tratada como a perda de “uma Ford” para o Rio Grande do Sul, o cenário agora é de consolidação e escala. Nesta terça-feira (13), o prefeito Luiz Zaffalon (PSD) esteve no local para acompanhar de perto o funcionamento do novo centro de distribuição da gigante argentina do e-commerce. Gravataí não apenas recebeu a sua ‘Ford da Logística’, como já colhe as primeiras ‘entregas’.
Instalado às margens da Rodovia Mário Quintana (ERS-118), nº 10.250, no bairro Monte Claro, o empreendimento possui 38,7 mil metros quadrados de área e opera desde o dia 12 de setembro no sistema Fulfillment Center — modelo no qual toda a inteligência e execução do processo, do recebimento do estoque à expedição final, ficam sob responsabilidade direta da plataforma.
E os números impressionam: em apenas um mês de operação oficial, mais de 1 milhão de pedidos já passaram pelas esteiras da unidade de Gravataí.
“Essa operação reforça que o município reúne infraestrutura, localização estratégica e ambiente favorável para grandes investimentos. É assim que Gravataí avança: atraindo investimentos, gerando empregos e construindo um futuro de oportunidades para a nossa população”, destacou Zaffa durante a visita técnica.
A chegada do centro logístico gerou de imediato 720 empregos diretos — com contratações intermediadas pela própria Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano e Capacitação (SMDHC) para adequação dos perfis profissionais às exigências do Mercado Livre. Mas o fôlego não pára por aí: a projeção oficial é alcançar 800 postos de trabalho diretos já no ano que vem.
“Isso representa mais oportunidades de emprego, renda e desenvolvimento para Gravataí. Mais uma grande empresa que escolheu nosso município para crescer e investir”, complementou o vice-prefeito Dr. Levi Melo, que acompanhou a comitiva formada também por secretários municipais, pelo secretário de Desenvolvimento Econômico do RS, Leandro Evaldt, e o deputado estadual eleito por Gravataí, Dimas Costa.


A virada e a economia do futuro
Para compreender o peso simbólico da inauguração na ERS-118, é preciso voltar a 2020. A saída do Mercado Livre tornou-se o retrato de um Estado asfixiado por entraves tributários que Marco Alba batizou publicamente de “burrocracia”. Ao decretar que o RS havia perdido “outra Ford”, o ex-prefeito deflagrou um terremoto político cujos ecos sacudiram as eleições de 2022. Naquele pleito, Alba acabou apoiando Onyx Lorenzoni ao Piratini, em franca oposição à chapa de Eduardo Leite e Gabriel Souza — este último, seu companheiro de MDB.
A grande virada de chave começou a ser desenhada em julho de 2023. Quando tratativas do Piratini apontavam para municípios vizinhos na Região Metropolitana, Zaffa agiu com pragmatismo: em um gesto público, pediu ao governador Eduardo Leite, na véspera de uma viagem oficial à Argentina, que colocasse Gravataí de volta à mesa de negociações.
A diplomacia municipal, somada ao pacote de atração do Invest Gravataí e às revisões tributárias promovidas nas esferas estadual e federal, funcionou. Gravataí venceu a concorrência regional contra vizinhos da Grande Porto Alegre e assegurou uma das operações mais cobiçadas da economia digital.
Em julho deste ano, a entrega da licença de operação aos diretores da empresa já havia marcado o desfecho burocrático da batalha. Agora, com robótica, inteligência artificial e mais de 1 milhão de encomendas entregues em 30 dias, a frustração de 2020 dá lugar à realidade de um novo hub logístico.
Ao fim, se a General Motors redefiniu o perfil industrial de Gravataí na virada do século, o Mercado Livre é mais uma empresa do e-commerce que opera na cidade a economia do presente e do futuro.


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