crise do coronavírus

O presidente da OAB Gravataí e a ditadura; do Oráculo de Delfos a Faoro

Deivti Dimitrios, presidente da OAB Gravataí para o triênio 2019-2021.

Deivti Dimitrios, presidente da subseção Gravataí da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) reagiu ao artigo Os prints dos prefeituráveis de Gravataí no ’Dia do AI-5 2.0’; os germes de Maiakósvki, que publiquei sobre os Grandes Lances dos Piores Momentos de escarros antidemocráticos do presidente Jair Bolsonaro no último domingo.

Siga na íntegra e, ao fim, brevemente comento.

 

Alô dedicado R. Martinelli:

Naturalmente que suporto as frustrações que são contingências da vida, sim, talvez por querer fazer mais. Mas não me parece justo que credites a mim um “silêncio” que possa ecoar como omissão.

Diferentemente dos políticos referidos na matéria publicada em 20/04/2020, eu não sou candidato à Prefeitura de Gravataí. Aliás não sou e nunca fui filiado a nenhum partido. Inclusive recusei recentemente convite de filiação porque entendo que enquanto estiver ocupando a honrosa função de Presidente da OAB local, não devo fazê-lo.

A verdade é que a OAB Subseção de Gravataí, no dia de ontem e antes da matéria publicada nesse respeitável blog de notícias (SEGUINTE), replicou a publicação da Nota pública em defesa da democracia, emitida pelo Conselho Federal da OAB, em que assevera, entre outros enunciados, ser inadmissíveis as iniciativas e os atos de apoio à ruptura democrática, à intervenção militar e os atos institucionais que atentem contra as liberdades (Facebook da instituição).    

Parece-me haver um paradoxo na espera do representante de um órgão, de uma instituição etc. também ter que se manifestar em suas redes sociais, a respeito do mesmo tema. Mas talvez isso seja outro vírus, o ideológico, que tem sido maléfico, e se espalhou e nos contagiou: o vírus do pensar ser sabido; como se as redes sociais fossem uma espécie de Oráculo de Delfos, aonde as sacerdotisas e os sacerdotes têm respostas e profecias consideradas verdades absolutas. Lugar em que muitos perderam a noção de sua douta-ignorância: “Sei que nada sei”, olvidando-se (quiçá por desconhecimento) da lição socrática. Ouve-se hoje com frequência especular os defensores eufemistas ou da forma mais odiosa de um ou outro posicionamento político, saúde, economia etc., tão obsoleto quanto repugnante.

Enquanto trava-se esse duelo insensato de pró ou contra Bolsonaro, nosso país trepida perante um vírus soturno (que se intrometeu em nossas vidas como se fosse um interventor sinistro) e suas consequências na economia, e que foi capaz de desvendar a verdade sobre as entranhas da nossa vulnerabilidade.

Devemos, nesse momento, como concidadãos, ter o propósito do combate ao Covid-19. A guerra é contra o Coronavírus e minimizar seus efeitos. Para isso temos que aproveitar o potencial conjunto de todas as pessoas, instituições, órgãos, poderes etc., às ações necessárias para executar um plano e curar o nosso país; depois expulsar os mercadores do templo, conforme cada caso. Uma coisa de cada vez. Assim como estamos vivendo: um dia por vez.   

Mas já é hora de nos retirarmos, eu, para ouvir, e vós para falardes. Entre vós e mim, quem está melhor? Isso é o que ninguém sabe, exceto Zeus.

Com a profunda estima de sempre,

Deivti DIMITRIOS

 

Analiso.

Ao fim, agradeço a resposta de Dimitrios, contente por seu repúdio aos episódios de domingo – não pela certeza sobre seu posicionamento, porque isso nunca me faltou, mas sim por agora público e ao acesso de um print no 'Oráculo de Delfos online'.

Parabéns pela educação e equilíbrio, que talvez me falte ao tratar do assunto, como ficou manifesto em Patéticos e perigosos na porta do quartel; o presidente do meu país é um criminoso, mas minha consciência permite não recuar jamais na crítica a fascistóides com comportamento de seita, que homenageiam torturadores que enfiavam ratos na vagina da companheira, da irmã, da mãe de alguém.

Dedico ao estimado frase atribuída a Raymundo Faoro, histórico presidente da OAB do Rio (de onde partiu a primeira denúncia de torura durante a ditadura militar) e depois da OAB do Brasil (front de resistência e denúncia aos atos intitucionais, além de partícipe do processo de reabertura democrática:

– Acho que a história do Brasil é um romance sem heróis.

 

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