O Rio Grande do Sul pode enfrentar uma sequência de eventos climáticos extremos nos próximos meses em razão do fortalecimento do fenômeno El Niño 2026-2027. O alerta é do meteorologista Luiz Fernando Nachtigall, da MetSul Meteorologia, que afirma que a enchente registrada neste mês representa apenas o início de um período de elevado risco para o Estado.
Em artigo publicado na terça-feira (22), Nachtigall avalia que o atual episódio de cheia é o primeiro grande evento associado ao novo ciclo do El Niño e alerta para a possibilidade de novas enchentes, tempestades e episódios de chuva extrema até o próximo ano.
Segundo o meteorologista, a intensidade do fenômeno chama a atenção por poder superar todos os registros históricos desde o início das medições no Oceano Pacífico, em meados do século XIX.
“Estamos enfrentando o primeiro episódio de enchente do evento de El Niño de 2026-2027. O que estamos testemunhando nesta quarta-feira no Rio Grande do Sul com rios fora do leito e pessoas deixando suas casas é apenas o começo de um período de altíssimo risco climático”, escreveu.
Conforme a análise de Nachtigall, o atual episódio já atingiu o patamar de Super El Niño, classificação utilizada quando as anomalias da temperatura da superfície do Oceano Pacífico alcançam níveis excepcionalmente elevados.
Os principais modelos climáticos indicam que o fenômeno continuará se fortalecendo ao longo do segundo semestre de 2026.
Ainda de acordo com a MetSul Meteorologia, embora a intensidade do El Niño não determine exatamente onde ocorrerão os eventos extremos, ela aumenta significativamente a probabilidade de chuvas excessivas, enchentes e tempestades severas.
Setembro a dezembro: a maior preocupação
Na análise, o período entre setembro e dezembro deverá concentrar o maior risco climático no Rio Grande do Sul.
Segundo Luiz Fernando Nachtigall, a expectativa é de uma sucessão de episódios de chuva intensa, com possibilidade de enchentes de grandes proporções em diferentes regiões do Estado.
Além disso, as projeções analisadas pela MetSul apontam que o padrão de precipitações acima da média poderá persistir durante o verão, favorecendo novos episódios de inundação e temporais associados ao calor.
Outro ponto destacado pelo meteorologista é que os impactos mais severos do El Niño costumam ocorrer alguns meses após o pico do aquecimento das águas do Pacífico.
Conforme explica, existe um intervalo entre o comportamento do oceano e a resposta da atmosfera, o que faz com que o risco permaneça elevado mesmo após o auge do fenômeno.
Por esse motivo, a MetSul Meteorologia chama atenção para os meses de abril e maio de 2027, período que, segundo o meteorologista, apresenta elevado potencial para novos eventos hidrológicos extremos.
Ao contextualizar a preocupação, Nachtigall lembra que as duas maiores enchentes da história do Rio Grande do Sul — em 1941 e 2024 — ocorreram justamente no outono seguinte ao início de fortes episódios de El Niño.
Conforme o artigo, o cenário exige acompanhamento permanente das condições meteorológicas e hidrológicas, especialmente diante da possibilidade de sucessivos episódios de chuva intensa ao longo dos próximos meses.
A empresa ressalta que a intensidade do fenômeno aumenta o potencial para tempestades, vendavais, alagamentos, inundações repentinas e enchentes, embora não seja possível afirmar, neste momento, que haverá um evento com a mesma magnitude da enchente histórica registrada no Rio Grande do Sul em 2024.






