A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou, na segunda-feira (13), a Operação VoIP & Cloud para desarticular uma associação criminosa especializada em golpes virtuais com falsos leilões de veículos. A ação foi coordenada pela 2ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana (2ª DPRM), por meio da 1ª Delegacia de Polícia de Canoas.
Após mais de um ano de investigação, um homem apontado como principal articulador do esquema foi preso em Embu das Artes (SP). A companheira dele, suspeita de participação direta nas fraudes, está foragida.
Segundo a polícia, o grupo utilizava sites fraudulentos que simulavam leilões oficiais, enganando vítimas em diferentes estados do país.
De acordo com a investigação, os criminosos criavam páginas falsas que imitavam leiloeiras reconhecidas e até órgãos públicos, com aparência profissional e uso de logotipos oficiais.
Para atrair vítimas, investiam em anúncios pagos em redes sociais e buscadores, fazendo com que os sites aparecessem entre os primeiros resultados de pesquisa.
Após o acesso, o interessado era direcionado para atendimento via WhatsApp, onde supostos “atendentes” pressionavam pelo pagamento imediato, sob o argumento de que o lote seria perdido.
Os valores — geralmente via PIX ou transferência — eram enviados para contas de pessoas físicas ou empresas de fachada. Depois, o dinheiro era rapidamente pulverizado em uma rede bancária, dificultando o rastreamento.
Investigação rompe anonimato digital
A Polícia Civil afirma que o grupo utilizava infraestrutura tecnológica sofisticada para mascarar a localização real, simulando operar no Rio Grande do Sul, enquanto o núcleo estava instalado em São Paulo.
Com o uso de inteligência telemática, os investigadores conseguiram rastrear “pegadas digitais” deixadas durante a criação dos sites falsos. A partir disso, chegaram ao endereço dos principais suspeitos, de onde partiam os contatos com as vítimas.
No local, foram apreendidos computadores de alto desempenho e celulares usados como “central de interação digital” para aplicar os golpes.
Somente no Rio Grande do Sul, entre 2024 e 2025, foram identificadas ao menos 11 ocorrências ligadas ao grupo, com prejuízo estimado em cerca de R$ 200 mil.
No entanto, conforme a polícia, a movimentação financeira total pode ser bem maior.
“Há indícios de que o casal tenha obtido mais de R$ 750 mil com os golpes, e a movimentação patrimonial do grupo pode superar R$ 1 milhão”, afirmou o delegado Marco Guns.
Durante a operação, também foram apreendidos dois veículos — um VW T-Cross e um Toyota Corolla — avaliados em aproximadamente R$ 350 mil.
Golpes cada vez mais sofisticados
Segundo a Polícia Civil, os golpes envolvendo falsos leilões têm se tornado mais elaborados, com uso de engenharia social e clonagem de anúncios reais.
O diretor da 2ª DPRM, delegado Cristiano Reschke, destaca que os criminosos criam verdadeiros “escritórios do crime” em outros estados, acreditando estarem protegidos pelo anonimato digital.
“A Polícia Civil tem se especializado na investigação telemática e vai continuar apertando o cerco. Já estivemos em São Paulo e retornaremos quantas vezes forem necessárias”, afirmou.
A ofensiva faz parte de uma série de ações contra esse tipo de crime. A Operação Mímesis (outubro/2025), que investigou grupo que causou prejuízo superior a R$ 700 mil a 48 vítimas; a Operação Lance Final (outubro/2025), focada em quadrilhas que atuavam a partir de São Paulo; e o caso recente (abril/2026), no qual morador da Região Metropolitana perdeu mais de R$ 100 mil em um único golpe.
Como se proteger de falsos leilões — e o que fazer
A Polícia Civil orienta que consumidores adotem medidas básicas antes de participar de leilões online: verifique o domínio (sites oficiais terminam em “.gov.br”), consulte o leiloeiro na Junta Comercial (JucisRS), desconfie de pagamentos via PIX para pessoas físicas, evite fechar negócio sem visitar o local do lote e cuidado com pressão para pagamento imediato.
O que fazer em caso de golpe? Registrar ocorrência na Polícia Civil ou Delegacia Online, informar o banco imediatamente para tentar bloquear valores via Mecanismo Especial de Devolução (MED) e buscar orientação jurídica — há decisões que responsabilizam plataformas por falhas de segurança.






