SEGURANÇA

Operação Paper Trail prende quadrilha que usava WhatsApp e boletos falsificados para roubar vítimas; entenda o esquema

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou, na terça-feira (16), a Operação Paper Trail para desarticular uma associação criminosa especializada na aplicação do golpe do falso boleto contra clientes de instituições financeiras na região metropolitana de Porto Alegre, interior gaúcho e em diferentes estados do país.

A ação foi coordenada pela Delegacia de Repressão aos Crimes Patrimoniais Eletrônicos (DPRCPE), vinculada ao Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos (Dercc), e contou com o apoio da Polícia Civil de São Paulo.

Ao todo, foram cumpridas 20 medidas cautelares no estado de São Paulo. Quatro pessoas foram presas e aparelhos celulares foram apreendidos durante a operação.

Segundo o delegado João Vitor Herédia, os investigados são suspeitos de integrar um esquema estruturado de estelionato por fraude eletrônica, falsificação de documento particular, falsa identidade e associação criminosa.

A investigação apontou que o grupo atuava de forma organizada, com divisão de tarefas e atuação em diferentes etapas da fraude, que tinha como alvo clientes interessados em quitar antecipadamente empréstimos contratados junto a instituições financeiras.

O inquérito teve início após o registro de uma ocorrência envolvendo o pagamento de R$ 52.239,27 em dois boletos falsos.

Conforme a Polícia Civil, a vítima recebeu os documentos por WhatsApp de uma mulher que se apresentou falsamente como atendente de uma financeira.

Os boletos possuíam aparência idêntica aos originais, incluindo o CNPJ da instituição financeira como suposto beneficiário final. No entanto, os valores eram direcionados para contas controladas pelos integrantes do grupo criminoso.

A partir da análise da movimentação financeira, os investigadores conseguiram identificar a conta bancária que recebeu os recursos e, posteriormente, mapear toda a estrutura da organização.

Como funcionava o esquema

De acordo com a investigação, o golpe era executado em quatro etapas.

Na primeira fase, os criminosos monitoravam plataformas de reclamações na internet em busca de consumidores que relatavam dificuldades para obter boletos de quitação antecipada de empréstimos.

Depois, os suspeitos entravam em contato com as vítimas por meio de números de WhatsApp registrados em nome de terceiros, apresentando-se como representantes oficiais das instituições financeiras.

Na etapa seguinte, boletos legítimos eram utilizados como base para a falsificação. Os investigados alteravam os dados dos beneficiários, substituindo-os pelos das financeiras para dar aparência de autenticidade aos documentos.

Por fim, os valores pagos eram depositados em contas vinculadas ao grupo, que realizava a divisão dos recursos obtidos com as fraudes.

Segundo a Polícia Civil, um homem de 35 anos, morador de São Paulo, foi identificado como o principal operador do esquema.

As investigações apontam que ele possuía acesso privilegiado ao sistema interno de uma das financeiras alvo por meio de um contrato de correspondente bancário firmado com uma empresa de intermediação financeira.

Esse acesso permitia identificar clientes com contratos ativos e interesse em quitar dívidas antecipadamente, fornecendo informações estratégicas para a execução das fraudes.

O suspeito também seria responsável pela falsificação dos boletos e pelo monitoramento das plataformas utilizadas para localizar potenciais vítimas. Ele já possui antecedentes por estelionato eletrônico com características semelhantes.

A companheira dele, uma mulher de 28 anos, também foi identificada como integrante da estrutura criminosa.

Outra investigada, de 33 anos, era responsável pela geração dos boletos originais utilizados nas adulterações e pela disponibilização da conta bancária que recebia os valores desviados.

Já um homem de 30 anos atuaria como articulador operacional, coordenando a comunicação entre os responsáveis pela fraude e o núcleo financeiro do grupo. Ele possui antecedentes por furto qualificado e estelionato.

Durante as diligências autorizadas pela Justiça, a Polícia Civil realizou quebras de sigilo telefônico, telemático e informático.

O cruzamento dos dados revelou que uma conta de e-mail utilizada pelo grupo continha boletos fraudulentos enviados a pelo menos três vítimas já identificadas.

Segundo os investigadores, o número real de pessoas lesadas pode ser significativamente maior.

Documentos apreendidos também indicaram tentativas de aplicação de golpes contra outras vítimas, com operações que chegavam a mais de R$ 23 mil por boleto.

Alerta da Polícia Civil

A Polícia Civil reforça que consumidores devem desconfiar de boletos recebidos por aplicativos de mensagens e sempre confirmar os dados diretamente nos canais oficiais das instituições financeiras.

A recomendação é verificar atentamente informações como beneficiário, banco emissor e chave de pagamento antes de concluir qualquer transação.

Com a Operação Paper Trail, a Polícia Civil gaúcha busca interromper a atuação do grupo e aprofundar as investigações para identificar outras vítimas e possíveis integrantes da organização criminosa.

Segundo os investigadores, o combate aos crimes patrimoniais eletrônicos segue como uma das prioridades da corporação diante do crescimento das fraudes digitais e dos golpes praticados por meio da engenharia social.

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