A Polícia Civil do Rio Grande do Sul, por meio da Delegacia de Repressão ao Roubo de Veículos (DRV/Deic), com apoio da Brigada Militar, deflagrou a Operação Snitch — e Cachoeirinha voltou ao centro do mapa das investigações contra organizações criminosas especializadas em roubos e furtos de automóveis de motoristas de aplicativos.
A ofensiva, que cumpriu mandados em Porto Alegre e também em Cachoeirinha nesta segunda-feira (8), resultou na prisão preventiva de quatro pessoas apontadas como integrantes de um grupo responsável por uma sequência de ataques a motoristas na zona norte da Capital e em Alvorada. A investigação, iniciada em julho, revelou que parte da logística da quadrilha passava por Cachoeirinha, utilizada como “ponto seguro” para esconder comparsas, armazenar itens e movimentar veículos após os crimes.
Quadrilha tinha líder, divisão de tarefas e logística interestadual
Segundo a delegada Jeiselaure de Souza, titular da DRV/Deic, o esquema funcionava com método quase empresarial. Um dos presos era o líder, responsável por “encomendar” os roubos, selecionar alvos, definir rotas de fuga e coordenar o deslocamento dos criminosos até os locais onde os carros seriam subtraídos das vítimas — sempre com uso de arma de fogo.
Outro membro ficava encarregado de levar os assaltantes até o ponto exato do crime e retirá-los após a ação. Em seguida, os veículos roubados eram conduzidos para Alvorada, onde eram preparados para revenda, clonagem ou desmanche. Além dos roubos, parte do grupo também atuava em furtos de automóveis.
A identificação da estrutura hierárquica e da divisão de tarefas permitiu caracterizar formalmente o bando como organização criminosa. A cooperação com a Brigada Militar foi decisiva para análises de inteligência, cruzamento de informações e obtenção das ordens judiciais cumpridas nesta segunda-feira.
Cachoeirinha aparece como ponto de apoio do esquema
Para além dos crimes cometidos em Porto Alegre e Alvorada, a operação confirma que Cachoeirinha também integrava a rede de suporte do grupo. Mandados cumpridos na cidade tinham como alvo endereços usados pelos criminosos para guardar pertences, se esconder temporariamente e circular com veículos derivados dos roubos — etapa fundamental para “respirar” após cada ação antes de levar os automóveis ao destino final.
A apreensão de celulares e dispositivos eletrônicos deve aprofundar a investigação sobre o papel de cada integrante e identificar conexões com outros grupos e atividades ilícitas na região metropolitana.
A delegada Jeiselaure destacou que o êxito da operação é fruto direto da atuação conjunta entre Polícia Civil e Brigada Militar, dentro da lógica do Programa RS Seguro: “A integração entre as forças de segurança é um dos pilares do Programa RS Seguro e foi determinante para o êxito desta operação. Essa atuação conjunta reforça nosso compromisso com a redução dos índices de violência e com a proteção da sociedade gaúcha.”
Com a desarticulação do núcleo principal, a expectativa é interromper uma cadeia criminosa que vinha alimentando o mercado ilegal de veículos, aumentando o risco de assaltos e alimentando outros delitos na Região Metropolitana.






