SEGURANÇA

PF mira fraudes na CAIXA com ramificações em Gravataí e Cachoeirinha; desvio chega a R$ 4 milhões

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (2) a Operação AVALOP, que apura um esquema milionário de fraudes em empréstimos e financiamentos bancários envolvendo empresas de fachada e um ex-servidor da Caixa Econômica Federal de Viamão. Embora o núcleo da organização criminosa atuasse na agência do município, as investigações revelam ramificações em Gravataí e Cachoeirinha, que foram alvos de mandados de busca e apreensão.

A ação cumpriu cinco mandados de busca nas cidades de Caxias do Sul, Porto Alegre, Viamão, Gravataí e Cachoeirinha, além do bloqueio de contas bancárias e sequestro de bens avaliados em cerca de R$ 4 milhões. Não houve prisões nesta fase, cujo foco é ampliar o mapeamento da estrutura financeira e operacional do grupo.

Esquema operava com ao menos 23 empresas de fachada

De acordo com a Polícia Federal, o ex-funcionário da Caixa atuava como peça-chave, facilitando o acesso do grupo a empréstimos fraudulentos entre 2022 e 2024. Ele validava operações que não atendiam aos requisitos mínimos de concessão, permitindo que empresas sem atividade real recebessem crédito público.

A investigação aponta que o grupo controlava ao menos 23 empresas de fachada, muitas ligadas a um mesmo endereço, com capital social incompatível e estruturas fictícias. Após liberar os empréstimos, os investigados se apropriavam dos valores e não realizavam a devolução, causando prejuízo estimado de R$ 4 milhões aos cofres públicos.

Há indícios de que o servidor recebia propinas de até 10% sobre cada financiamento irregular. Ele foi desligado da Caixa durante o curso das apurações.

Gravataí e Cachoeirinha entram no mapa do esquema

As diligências realizadas nos dois municípios indicam que empresas e pessoas físicas ligadas às cidades teriam participado direta ou indiretamente da engenharia financeira do grupo, seja como “laranjas”, seja como operadores logísticos do esquema.

A PF não divulgou os nomes ou detalhes dos alvos, mas confirmou que o objetivo é identificar a extensão regional da quadrilha, que utilizaria contas, endereços e registros empresariais em diversos pontos da Região Metropolitana para dissimular a origem dos recursos.

Bens de luxo sob investigação

Além do bloqueio de contas, a Justiça Federal autorizou o sequestro de bens, incluindo veículos de alto valor, e a quebra de sigilo bancário e fiscal dos investigados. A intenção é descapitalizar a estrutura criminosa e possibilitar eventual ressarcimento aos cofres públicos.

Segundo o delegado federal Afonso Arcego, responsável pela operação, esta etapa busca aprofundar os elementos de prova — “especialmente documentos, dispositivos eletrônicos e movimentações financeiras que permitam mapear toda a cadeia de participação”.

Cinco pessoas são apontadas como administradores das empresas usadas no esquema, além do servidor desligado da Caixa.

A investigação segue em curso e novas fases da AVALOP não estão descartadas.

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