A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou, na quinta-feira (28), a Operação Eclipse para desarticular um grupo criminoso suspeito de aplicar golpes por meio de falsas campanhas beneficentes divulgadas na internet.
A ação é conduzida pela Delegacia de Polícia de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DPRCC/Dercc), coordenada pelo delegado Marcos Vinícius De David.
Segundo a investigação, os criminosos utilizavam indevidamente a imagem de uma criança de 10 anos, diagnosticada com distrofia muscular de Duchenne — doença rara que exige tratamento de alto custo — para criar campanhas falsas de arrecadação na internet.
Ao todo, foram cumpridos três mandados de prisão preventiva e seis mandados de busca e apreensão nos estados do Paraná, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Até o momento, três suspeitos foram presos.
O primeiro é um homem de 30 anos, morador de Curitiba, apontado como responsável pela estrutura financeira utilizada pelo grupo. O segundo preso, também de 30 anos, reside em Londrina e, conforme a polícia, atuava na operacionalização das empresas usadas para movimentar os valores obtidos ilegalmente. Já o terceiro investigado preso é um homem de 31 anos, residente em Contagem, identificado como responsável pelo registro e manutenção dos domínios utilizados nas páginas fraudulentas.
Além das prisões, a operação também apreendeu um veículo que poderá ser utilizado futuramente para ressarcimento da vítima.
Os policiais ainda localizaram materiais considerados importantes para a investigação, incluindo elementos relacionados ao uso de gateways de pagamento empregados na operacionalização do esquema e uma arma Airsoft.
Conforme a Polícia Civil, o grupo criminoso criava páginas falsas de arrecadação e anúncios patrocinados em redes sociais simulando campanhas solidárias legítimas. As publicações reproduziam fotos da criança, detalhes sobre a doença e elementos visuais semelhantes aos usados em plataformas verdadeiras de financiamento coletivo.
O objetivo era induzir vítimas a realizarem transferências via PIX acreditando estarem ajudando no tratamento da criança.
As investigações apontam que os suspeitos utilizavam uma estrutura digital e financeira considerada sofisticada, com registros de domínios hospedados em servidores fora do Brasil, empresas intermediadoras de pagamento e intensa movimentação bancária.
Segundo a polícia, uma das campanhas fraudulentas chegou a exibir arrecadação superior a R$ 248 mil.
A análise financeira também identificou movimentações na casa dos milhões de reais em contas vinculadas à empresa utilizada pelo grupo, com padrão compatível com golpes envolvendo campanhas beneficentes falsas: grande volume de transferências de pequeno valor feitas por dezenas ou até centenas de vítimas espalhadas pelo país.
O nome da operação, Eclipse, faz referência à empresa utilizada na estrutura financeira investigada e ao suposto mecanismo de ocultação e dissimulação dos valores obtidos por meio das fraudes eletrônicas.
As investigações seguem em andamento para identificar outras vítimas, possíveis participantes do esquema e o tamanho total do prejuízo causado.






