A crise no abastecimento de água em Cachoeirinha escalou do campo das reclamações para o da punição. A prefeita interina Jussara Caçapava decidiu aplicar uma multa que ultrapassa R$ 1 milhão contra a concessionária Corsan, atualmente operada pelo grupo Aegea.
A medida vem após meses de interrupções no fornecimento de água — muitas delas sem aviso prévio — que atingem diretamente moradores da cidade.
A Prefeitura já havia notificado a concessionária em janeiro por descumprimento contratual. Sem resposta efetiva, avançou agora para a penalidade mais dura prevista.
O memorando assinado por Jussara determina a aplicação de multa no patamar máximo de 2% sobre o valor arrecadado pela empresa nos últimos três meses — o que leva a um valor superior a R$ 1 milhão.
A justificativa é direta: reincidência e gravidade das falhas.
No documento, a Prefeitura afirma que a concessionária: não garantiu a continuidade do serviço; descumpriu metas de qualidade; e deixou de adotar medidas para evitar ou minimizar os impactos.
Tudo isso, segundo o texto, em desacordo com cláusulas contratuais que obrigam a prestação regular e eficiente do serviço.
A decisão não é apenas financeira. Ela abre uma nova fase de cobrança formal sobre a empresa. Além da multa, a Prefeitura determinou que a Corsan apresente um plano de ação emergencial, com medidas concretas, cronograma de execução e solução para as falhas no abastecimento.
Caso contrário, o município pode avançar para medidas administrativas e judiciais.
A fala da prefeita sintetiza o tom da decisão: “Recebemos todos os dias reclamações dos moradores e, na notificação, avisamos que não teria nova advertência.”
A declaração marca uma mudança de postura: de tentativa de ajuste para enfrentamento direto com a concessionária.
Recado ampliado: energia também na mira
A ofensiva não se limita ao abastecimento de água. A gestão municipal já sinalizou que adotará a mesma linha dura contra a RGE, diante de falhas recorrentes no fornecimento de energia elétrica.
O movimento indica uma estratégia mais ampla: pressionar concessionárias por serviços essenciais que, na prática, têm gerado desgaste diário à população.
A crise da água em Cachoeirinha vai além de um problema operacional. Ela expõe a fragilidade na prestação de serviços essenciais, os limites da regulação contratual e o custo político da falta de solução
Ao aplicar a multa máxima, Jussara tenta inverter essa equação transferindo a pressão para a concessionária. Resta saber se a punição será suficiente para mudar o cenário nas torneiras.






