A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de Gravataí divulgou os resultados das pesquisas entomológicas realizadas durante o segundo bimestre de 2026, correspondente aos meses de março e abril. Os dados apontam uma leve redução nos indicadores relacionados à presença do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya, mas especialistas alertam que os cuidados devem continuar mesmo durante os meses mais frios.
As ações são executadas pelos agentes de combate às endemias (ACEs) e coordenadas pelo Núcleo de Vigilância dos Riscos e Agravos Ambientais Biológicos (NVRAAB), vinculado ao Departamento de Vigilância em Saúde (Viemsa).
No período analisado, foram vistoriados 21.555 imóveis em Gravataí, entre residências, condomínios, prédios públicos, empresas e órgãos municipais. O número representa um aumento de 37,31% em relação ao primeiro bimestre do ano.
Durante as inspeções, os agentes realizaram 531 coletas de larvas e pupas de mosquitos, quantidade 28,43% menor que a registrada nos meses de janeiro e fevereiro. Apesar da redução, 303 das amostras coletadas — cerca de 57% do total — foram identificadas como pertencentes ao Aedes aegypti.
Outra ferramenta utilizada pela Vigilância em Saúde para monitorar a presença do mosquito é a instalação de ovitrampas, armadilhas destinadas à coleta de ovos.
Entre março e abril, foram instaladas 200 armadilhas em diferentes pontos da cidade. O resultado revelou a presença de aproximadamente 9 mil ovos de mosquitos do gênero Aedes, mil a menos do que o registrado no primeiro bimestre de 2026.
Apesar da redução, os números demonstram que o vetor continua circulando no município, exigindo atenção permanente da população e dos órgãos de saúde.
No mesmo período, a Vigilância Epidemiológica registrou 92 notificações de casos suspeitos de dengue.
A partir dessas ocorrências, foram realizadas 58 Pesquisas Vetoriais Especiais (PVEs), procedimento que busca identificar a presença do mosquito em áreas com suspeita de transmissão da doença.
As inspeções localizaram 23 pontos com focos do Aedes aegypti, o que levou à realização de 24 aplicações de inseticida por nebulização espacial, técnica popularmente conhecida como fumacê.
Frio não elimina o risco
Embora a chegada do inverno reduza a circulação do mosquito adulto, a Secretaria da Saúde alerta que isso não significa o fim do risco de proliferação.
Segundo o biólogo Róbinson Martins Korschner, coordenador do Programa Nacional de Controle da Dengue em Gravataí, os ovos do Aedes aegypti possuem alta resistência e podem permanecer viáveis por vários meses em ambientes secos.
“Apesar da sutil diminuição no número de coletas de larvas e na quantidade de ovos detectados nas palhetas das ovitrampas, os esforços no combate ao Aedes aegypti no inverno devem ser mantidos, pois, apesar de o mosquito adulto circular menos em períodos mais frios, seus ovos podem sobreviver no ambiente seco por meses, eclodindo quando o calor retorna. As ações preventivas devem ser contínuas para impedir a proliferação do mosquito”, destaca.
A Secretaria da Saúde reforça que a principal forma de prevenção continua sendo a eliminação de recipientes que possam acumular água parada, ambiente ideal para a reprodução do mosquito.
Entre as orientações estão manter caixas d’água fechadas, limpar calhas, evitar o acúmulo de água em vasos de plantas, pneus e recipientes expostos ao tempo, além de descartar corretamente materiais que possam servir de criadouro.
Mesmo com a queda das temperaturas, as autoridades de saúde alertam que o combate à dengue deve ser contínuo para evitar que os focos se multipliquem e provoquem novos surtos da doença nos meses mais quentes do ano.






