A Operação Punctum Finale, deflagrada nesta quinta-feira por mais de uma centena de policiais civis, militares e penais, é a etapa final de uma investigação de dois anos contra uma organização criminosa envolvida em lavagem de mais de R$ 10 milhões, tráfico de drogas e homicídios.
Em Gravataí, foram cumpridos mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão. A ação ocorreu simultaneamente em Porto Alegre, mobilizando mais de 90 policiais civis e 30 policiais militares, com apoio da Polícia Penal.
Ao todo, 22 mandados de prisão preventiva e 18 de busca foram expedidos. Até o momento, 19 pessoas foram presas — duas delas já estavam recolhidas no sistema prisional. Também houve apreensão de dinheiro em espécie e de um veículo.
A operação foi conduzida pela Delegacia de Polícia de Repressão ao Crime de Lavagem de Dinheiro (DRLD), vinculada ao Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), sob coordenação do delegado Rodrigo Pohlmann Garcia.
Segundo a Polícia Civil, o grupo atuava principalmente na Zona Sul de Porto Alegre, mas mantinha ramificações e operações financeiras que alcançavam outros municípios, incluindo Gravataí.
As investigações apontaram movimentações financeiras suspeitas entre 2021 e 2025 que ultrapassam R$ 10 milhões. O dinheiro oriundo do tráfico seria “lavado” por meio da aquisição de bens móveis e imóveis, investimentos em empresa de recolhimento de sucatas e até em franquia do setor alimentício.
Além disso, foram identificadas transações consideradas atípicas entre investigados e uma grande empresa do ramo de reciclagem, o que pode ter servido para dar aparência lícita a valores ilícitos.
Celulares, do shopping para o presídio
Outro ponto apurado foi a compra de mais de 20 telefones celulares em loja de shopping da Capital.
Os aparelhos teriam sido encaminhados ao sistema prisional para manter a comunicação de detentos com o meio externo — inclusive com o cumprimento de mandado de busca dentro de cela em etapa anterior da investigação.
A Operação Punctum Finale é desdobramento de duas ações anteriores: a Operação Riciclaggio, quando foram apreendidos seis automóveis — alguns de luxo —, dois fuzis, três pistolas e cerca de R$ 70 mil em espécie; e a Operação Renovatio, deflagrada em novembro de 2024, que resultou na apreensão de aproximadamente R$ 34 mil, celulares, drone, joias e três veículos.
Mesmo após essas investidas, conforme a Polícia, o grupo teria mantido atividades criminosas.
Conexão com homicídio
Durante o período investigado, a região de atuação da organização foi palco de um homicídio ocorrido em março de 2025.
As circunstâncias e o modo de execução indicaram possível ligação com a própria facção, reforçando a linha investigativa.
O diretor do DHPP, delegado Mario Souza, afirmou que o enfrentamento à lavagem de dinheiro é estratégia central no combate aos homicídios.
“A repressão ao crime de lavagem de dinheiro visa enfraquecer o poderio financeiro dos grupos criminosos, justamente para evitar que usem o dinheiro ilícito para financiar a prática de homicídios”, disse.
Embora o núcleo da organização estivesse concentrado na Capital, a presença de mandados cumpridos em Gravataí evidencia que o município também integrava o mapa operacional do grupo — seja como base logística, ponto de apoio ou rota de circulação de recursos.
A Operação Punctum Finale, como o próprio nome sugere, representa o fechamento de um ciclo investigativo. Mas, para as forças de segurança, o combate ao braço financeiro do crime organizado segue como prioridade permanente na Região Metropolitana.






